Poucas horas após ser alvo de críticas do presidente Donald Trump, o papa Leão XIV declarou a jornalistas que não teme o governo dos Estados Unidos. A declaração foi dada nesta segunda-feira (13/04) em resposta aos ataques públicos do presidente americano. O pontífice afirmou que seus apelos por paz têm fundamento no Evangelho e não constituem posicionamento político.
Trump havia publicado no domingo (12/04) uma série de críticas ao papa em sua rede social Truth Social. O presidente classificou Leão XIV como fraco no combate ao crime e péssimo em política externa.
O embate entre os dois líderes ocorreu após o papa fazer apelos pela paz em conflitos internacionais. Durante a oração Regina Caeli no Vaticano, Leão XIV pediu cessar-fogo no Líbano, onde o conflito no Oriente Médio está em sua sétima semana. O pontífice também mencionou a guerra na Ucrânia e o conflito no Sudão.
O papa Leão XIV, cidadão americano, esclareceu que não estava fazendo ataque direto contra Trump ou qualquer outra pessoa com seu apelo geral pela paz. O pontífice explicou que sua mensagem não pode ser equiparada ao posicionamento do presidente.
“Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui, creio eu, é não compreender qual é a mensagem do Evangelho, e lamento ouvir isso, mas continuarei com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo hoje. Não hesitarei em anunciar a mensagem do Evangelho e em convidar todas as pessoas a procurarem maneiras de construir pontes de paz e reconciliação, e a buscarem formas de evitar a guerra sempre que possível”, disse Leão à agência de notícias AP a bordo do avião papal a caminho da Argélia.
O pontífice também criticou a “ilusão de onipotência” que, segundo ele, está alimentando as guerras com o Irã e outros conflitos ao redor do mundo.
Em declarações a jornalistas, o papa afirmou: “Não tenho medo do governo Trump“. O pontífice declarou que não possui “a intenção de entrar em um debate” com Trump e que continuará defendendo a paz.
As críticas de Trump foram motivadas pelas declarações do papa sobre a guerra no Irã e seus pedidos de cessar-fogo em conflitos no Oriente Médio e na África. O presidente norte-americano publicou no Truth Social: “O papa Leão XIV é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa (…) Eu não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos”.
Trump também declarou: “Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano — e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano.”
O presidente continuou: “O papa Leão é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa. Ele fala sobre o ‘medo’ do governo Trump, mas não menciona o MEDO que a Igreja Católica e todas as outras organizações cristãs tiveram durante a COVID, quando estavam prendendo padres, pastores e todo mundo por realizar cultos — mesmo ao ar livre e mantendo distância de três a seis metros entre as pessoas.”
Trump afirmou: “Eu gosto muito mais do irmão dele, Louis, do que dele, porque Louis é totalmente MAGA. Ele entende — e Leão não!”
O presidente acrescentou: “Eu não quero um papa que ache que tudo bem o Irã ter uma arma nuclear. Não quero um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela, um país que estava enviando enormes quantidades de drogas para os EUA e, pior ainda, esvaziando suas prisões — incluindo assassinos, traficantes e criminosos — para dentro do nosso país.”
Trump declarou ainda: “E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos por eu estar fazendo exatamente aquilo para o qual fui eleito, COM UMA VITÓRIA ARRASADORA: reduzir o crime a níveis recordes e criar o maior mercado de ações da história.”
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O presidente também afirmou: “Infelizmente, Leão é fraco no combate ao crime e fraco em relação a armas nucleares — e isso não me agrada. Também não me agrada o fato de ele se reunir com simpatizantes de Obama, como David Axelrod, um PERDEDOR da esquerda, que é um daqueles que queriam que fiéis e membros do clero fossem presos.”
Trump finalizou: “Leão deveria se recompor como papa, usar o bom senso, parar de agradar a esquerda radical e focar em ser um grande papa — não um político. Isso está prejudicando muito ele e, mais importante, está prejudicando a Igreja Católica.”
Alguns minutos após as críticas, Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece com uma túnica branca abençoando um homem doente. A imagem mostra a bandeira dos Estados Unidos, a Estátua da Liberdade, caças de guerra, uma aeronave espacial e gaviões.
Ao falar do “amado povo libanês” no domingo, o papa disse que há “uma obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra”. O pontífice expressou esperança de que a atenção da comunidade internacional sobre o conflito na Ucrânia não vacilasse.
O papa Leão XIV parte nesta segunda-feira (13/04) para uma viagem de 10 dias a quatro países africanos. A viagem tem como objetivo instar os líderes mundiais a atenderem às necessidades do continente, onde vive mais de um quinto dos católicos do mundo. Esta é a primeira grande viagem internacional do pontífice em 2026.
Antes da partida, o papa apelou às partes envolvidas no conflito no Sudão para que iniciem um “diálogo sincero”.




