Parlamento do Irã avalia enriquecer urânio a nível de arma nuclear

Porta-voz do parlamento iraniano afirma que país pode elevar pureza do material nuclear caso sofra novos ataques americanos

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Bandeira do Irã
(Foto: West Asia News Agency via Reuters)

O parlamento iraniano vai avaliar a possibilidade de elevar o enriquecimento de urânio para 90% de pureza, nível adequado para a fabricação de armas nucleares. A ameaça foi feita por Ebrahim Rezaei, porta-voz do legislativo do país, em publicação na rede social X nesta manhã.

“Uma das opções do Irã em caso de outro ataque poderia ser o enriquecimento de 90%. Vamos analisar isso no parlamento”, afirmou Rezaei. A declaração ocorre após as negociações entre Teerã e Washington chegarem a um novo impasse na segunda-feira.

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Segundo autoridades ouvidas pelo The Wall Street Journal, o país do Oriente Médio mantém atualmente um estoque de aproximadamente 440 kg de urânio enriquecido a 60%. Especialistas estimam que o processo para elevar a pureza do material de 60% para 90% levaria apenas algumas semanas.

As conversas entre os dois países travaram depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “totalmente inaceitáveis” as condições apresentadas pelo governo iraniano no fim de semana.

“Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gosto. TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social no domingo (10).

Apesar da rejeição americana, o Ministério das Relações Exteriores do Irã voltou a defender a proposta nesta segunda-feira. Esmail Baghaei, porta-voz da pasta, afirmou que as demandas de Teerã são legítimas e representam uma oferta generosa para a segurança regional.

Entre as exigências iranianas está o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o conflito no Líbano. O país também solicita a suspensão de sanções econômicas por 30 dias através do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC).

Por que isso importa: O Estreito de Ormuz, que o Irã se recusa a garantir que manterá aberto, é responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo mundial. Qualquer bloqueio afetaria diretamente o preço dos combustíveis globalmente.

Segundo a imprensa norte-americana, Teerã rejeita desmantelar suas instalações nucleares e se recusa a suspender o programa atômico por 20 anos, como pedem os Estados Unidos. O governo iraniano também não aceita limitações à produção de mísseis nem deixar de financiar grupos como Hamas e Hezbollah.

De acordo com fontes ouvidas pelo The Wall Street Journal, a Casa Branca já havia flexibilizado sua posição inicial. Em vez de exigir o cancelamento total do programa nuclear iraniano, os americanos passaram a pedir uma suspensão de 20 anos das atividades.

Mesmo com a mudança de postura de Washington, as negociações não avançaram. O Irã defende que suas demandas são razoáveis e incluem garantias de segurança para a região, como a passagem segura pelo Estreito de Ormuz.

“Nosso pedido é legítimo: exigir o fim da guerra, o levantamento do bloqueio e da pirataria e a liberação dos ativos iranianos que foram injustamente congelados em bancos devido à pressão americana”, declarou Baghaei.

O porta-voz acrescentou que “passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o estabelecimento da segurança na região e no Líbano foram outras demandas do Irã, que são consideradas uma oferta generosa e responsável para a segurança regional”.

Contexto do programa nuclear iraniano

O Irã é signatário do Tratado de Proliferação Nuclear (TNP), que permite o enriquecimento de urânio para fins pacíficos, como geração de energia. No entanto, o enriquecimento acima de 20% levanta suspeitas da comunidade internacional sobre possíveis fins militares.

Segundo informações da agência Tasnim e da mídia estatal iraniana, o país defende que seu programa nuclear tem objetivos exclusivamente pacíficos. A tensão entre Teerã e Washington se intensificou após os EUA se retirarem do acordo nuclear de 2015 durante o primeiro mandato de Trump.

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