O presidente Donald Trump anunciou que a Venezuela fornecerá entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. A declaração foi feita nesta terça-feira (06/01), poucos dias após forças militares americanas removerem Nicolás Maduro do poder na Venezuela durante operação realizada no fim de semana.
A ação representa o desfecho de meses de crescente pressão de Washington sobre Caracas, incluindo um bloqueio às exportações petrolíferas venezuelanas imposto desde meados de dezembro.
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“Esse petróleo será vendido a seu preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado para beneficiar o povo da Venezuela e dos Estados Unidos!”, declarou Trump em publicação em rede social.
A PDVSA, estatal petrolífera venezuelana, foi um dos principais alvos da operação americana. O Ministério do Petróleo venezuelano reagiu classificando a ação contra Maduro como um sequestro e acusou Washington de tentar se apropriar das reservas petrolíferas do país.
As negociações para a exportação do petróleo venezuelano envolvem autoridades de Caracas e Washington. O acordo prevê o envio do petróleo bruto para refinarias na Costa do Golfo dos EUA, que têm capacidade para processar o tipo pesado de petróleo produzido na Venezuela.
Antes das primeiras sanções energéticas impostas pelos EUA à Venezuela, as refinarias americanas na Costa do Golfo importavam aproximadamente 500.000 barris por dia de petróleo venezuelano. Atualmente, a Chevron exporta entre 100.000 e 150.000 barris diários para os Estados Unidos, sendo praticamente a única empresa que consegue operar com fluidez em meio ao bloqueio.
O possível acordo pode inicialmente exigir a realocação de cargas originalmente destinadas à China. Não há informações sobre como a PDVSA, que permanece sob sanções, receberá os lucros provenientes dessas vendas. Autoridades discutiram esta semana possíveis mecanismos para viabilizar as vendas, incluindo leilões para compradores americanos e a emissão de licenças dos EUA para parceiros comerciais da estatal.
A China tem sido o principal comprador de petróleo venezuelano na última década, especialmente desde 2020, quando os Estados Unidos impuseram sanções às empresas envolvidas no comércio com a Venezuela. A PDVSA já teve que reduzir sua produção devido ao embargo americano, pois está ficando sem capacidade de armazenamento.
A Casa Branca, autoridades do governo venezuelano e a PDVSA não se manifestaram oficialmente sobre o anúncio feito pelo presidente americano.
