Vídeos divulgados nas redes sociais mostram cenas de violência e destruição em várias cidades do Irã durante uma onda de protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. Manifestantes ocuparam ruas, incendiaram carros, atacaram prédios públicos e rasgaram a bandeira do país, em atos que se espalharam rapidamente e ganharam escala nacional.
Nesta sexta-feira (9), o líder supremo do Irã afirmou que o governo “não vai recuar” diante das manifestações. Em discurso transmitido pela TV estatal, Khamenei classificou os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores” e disse que o país não tolerará cidadãos “agindo como mercenários para estrangeiros”. Ele acusou os protestos de buscarem agradar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que o líder americano deveria “cuidar do próprio país”.
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Os protestos começaram no fim de dezembro, inicialmente motivados pela grave crise econômica. O Irã enfrenta inflação superior a 40% ao ano e uma forte desvalorização do rial, que perdeu cerca de metade de seu valor frente ao dólar no último ano. Com o avanço dos atos e a repressão das forças de segurança, as manifestações passaram a incorporar pautas políticas e pedidos diretos pela saída de Khamenei, que está no poder desde 1989.
Segundo a imprensa internacional, os protestos já atingiram ao menos 25 das 31 províncias iranianas, e redes de ativistas indicam que os atos ocorreram em centenas de cidades. Trata-se da maior mobilização contra o governo desde 2009 e da mais intensa desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini, presa pela polícia da moralidade.
Organizações de direitos humanos afirmam que a repressão deixou dezenas de mortos. A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, contabiliza ao menos 45 manifestantes mortos até quinta-feira (8), incluindo menores de idade, além de centenas de feridos e mais de 2 mil detenções. A quarta-feira (7) foi descrita como o dia mais sangrento, com ao menos 13 mortes registradas. O número real pode ser maior, já que há forte restrição à circulação de informações.
Para tentar conter os protestos, o governo impôs apagões na internet e em redes de telefonia, medida que tem sido adotada de forma recorrente desde o início da crise. Ainda assim, vídeos continuam a circular, mostrando grandes concentrações em cidades como Teerã, Isfahan e Mashhad, além de episódios simbólicos, como a derrubada de uma estátua do general Qassem Soleimani, figura central do regime.
A crise também intensificou as tensões entre Irã e Estados Unidos. Trump afirmou que não tolerará a morte de manifestantes e ameaçou “atingir duramente” o país caso a repressão continue. Khamenei reagiu chamando o presidente americano de “arrogante” e acusando os EUA de terem “as mãos manchadas de sangue”, em referência aos bombardeios contra instalações nucleares iranianas em 2025.
Enquanto o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tem feito apelos públicos por moderação e diálogo, o líder supremo mantém um discurso de confronto. A Guarda Revolucionária, força central do poder no país, segue à frente da repressão, em um contexto de fragilidade política e econômica que amplia a pressão sobre o regime.
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