A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos inaugura potencialmente uma nova era não só na América Latina, mas também um novo momento nas relações internacionais como um todo. Quem afirma é Gunther Rudzit, doutor em Ciência Política e professor de Relações Internacionais da ESPM-SP, que comentou os desdobramentos da queda do ditador venezuelano em entrevista ao TMC 360.
Na sua visão, a proximidade com o governo chinês foi um fator mais decisivo para a deposição de Maduro, seguindo a agenda da política externa estadunidense.
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“Todos os sinais que Donald Trump vinha dando desde sua eleição, principalmente pelo secretário de Estado Marco Rubio, é de que estamos numa nova era. De que toda essa estrutura da ordem internacional criada pelos próprios Estados Unidos e seus aliados europeus havia virado ‘peça de museu’”, afirmou Rudzit.
“Ficou claro de que não se admitiria no hemisfério ocidental qualquer tipo de influência estrangeira. Aqui na região, justamente o governo da Venezuela era o mais próximo da China, principal compradora do petróleo venezuelano.”
“Em grande parte, essa ação não é só porque Maduro é um ditador, ou por ser supostamente de esquerda, mas porque é muito próximo da China. Provavelmente não será a última ação do governo americano aqui na região.”
A ação dos Estados Unidos também é sinal de uma nova dinâmica de poder no mundo, em que estruturas do direito internacional, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), serão “atropeladas” se essa for a vontade das grandes potências.
“Estamos vivendo a era da selva, onde os mais fortes se impõem. Não estou justificando, mas sendo realista. Toda essa estrutura jurídica do mundo que acreditávamos que moldava as relações entre os estados infelizmente não vale mais – ou melhor, vai valer quando for do interesse das grandes potências. Quando não interessar, o direito internacional será atropelado, como foi atropelado ao longo de todos estes anos. É o mundo do poder, infelizmente”, comenta o professor.
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A pergunta que fica agora é: o que esperar do cenário da Venezuela a partir da agora? Para Gunther Rudzit, a resposta não é tão simples, já que a queda de Maduro não implica, necessariamente, no fim do regime que vigora atualmente no país vizinho.
“O que nos interessa é saber, no Brasil, é o que será feito do regime venezuelano. Como isso vai afetar a dinâmica interna, toda a estrutura política do país, a gente ainda não sabe”, disse.
“Não acredito em uma transição democrática em poucos meses, pois, principalmente, os militares têm uma vida de semideuses na Venezuela. Eles vão querer abrir mão disso? Nós estamos vendo o começo do enfraquecimento do regime que pode levar a uma queda ou a uma guerra civil. Vamos ter que esperar para ver.”
