A Qantas e a Airbus estão a menos de três anos de colocar no ar o voo comercial mais longo do mundo. A rota direta entre Sidney e Londres começa a operar em outubro de 2027 e vai exigir uma aeronave completamente redesenhada para aguentar até 22 horas seguidas de voo.
O avião escolhido é o A350-1000ULR, sigla para *Ultra Long Range*, ou alcance ultralongo. Segundo a Qantas e a Airbus, ele consegue permanecer no ar entre 20 e 22 horas. Para isso, ganha tanques de combustível adicionais e perde assentos: a capacidade cai para cerca de 238 passageiros, ante mais de 300 nos modelos convencionais da mesma família.
O voo inaugural do A350-1000ULR já aconteceu. A Airbus informou que a aeronave decolou de Toulouse, na França, voou por 3 horas e 42 minutos e alcançou altitude superior a 41 mil pés, cerca de 12,5 km acima do solo.
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A rota pelo Ártico
A trajetória entre Sidney e Londres não será sempre a mesma. A Qantas informou que ao menos 20% dos voos seguirão um caminho alternativo, passando pelo Polo Norte, pela Groenlândia e pelo Ártico antes de chegar à capital britânica. Essa opção será preferida nos meses de inverno do Hemisfério Norte.
O piloto-chefe técnico da Qantas, Alex Passerini, explicou ao site australiano *News.com.au* por que esse planejamento é tão complexo. “Toda a abordagem é muito diferente do que costumávamos fazer. No fim das contas, estamos voando sobre o Pacífico Norte, Alasca, Groenlândia, Islândia e entrando em Londres pelo norte. A fase de planejamento é extremamente importante porque define a quantidade de combustível a ser carregada na aeronave, o tempo de voo e quaisquer restrições aplicadas à rota”, afirmou.
A duração estimada para a maioria dos voos Sidney-Londres fica entre 18 e 20 horas, mas pode chegar a 22 horas dependendo da rota e das condições climáticas.
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Conforto a bordo e próximos destinos
Para tornar viável uma jornada tão longa, a Qantas desenvolveu estudos com especialistas em medicina do sono, nutrição e fadiga. O interior da aeronave terá áreas dedicadas a alongamentos e movimentação durante o voo, uma adaptação necessária para quem vai passar quase um dia inteiro dentro do avião.
Além de Londres, a companhia australiana também pretende operar voos sem escala entre Sidney e Nova York com o mesmo modelo de aeronave. O projeto que engloba essas rotas ultralongas é chamado internamente de Sunrise.



