O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos anunciou que Gregory Bovino, chefe da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos, foi removido de seu cargo. Bovino é notório por sua atuação “especialmente brutal na repressão contra imigrantes”, segundo seus críticos, e tem estado em evidência nos noticiários em meio à escalada de violência policial nos EUA.
Nos últimos meses, o ICE – a polícia de imigração dos Estados Unidos – tem sido denunciado em todo o país por prisões irregulares, práticas antiéticas e até pela morte de civis como Renee Nicole Good e, mais recentemente, Alex Pretti nas mãos de agentes do ICE. Veículos midiáticos ao redor do mundo encaram a demoção de Bovino – até então visto como “linha de frente” do governo Trump para conter e combater manifestantes – como um sinal de que a Casa Branca parece estar reconsiderando sua abordagem.
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Gregory Bovino chamou atenção em dias recentes após aparecer em um protesto em Minneapolis, poucos dias depois da morte de Renee Nicole Good, comandando seu batalhão da Patrulha de Fronteira trajando roupas muito similares às de comandantes da SS – a organização paramilitar de Adolf Hitler durante o regime nazista na Alemanha. Na ocasião, um crítico de Bovino escreveu em suas redes sociais: “Eles [governo Trump] nem escondem mais [que seriam nazistas]“.
Bovino começou sua carreira pública em 1996, quando se juntou à Patrulha da Fronteira dos Estados Unidos para atuar em El Paso, no Texas. Em 2008, ele foi promovido a subcomandante da Patrulha em Yuma, no Arizona, e mais tarde também se tornou o agente de patrulha encarregado da delegacia de Blythe, California.
Antes de se envolver com o governo Trump de forma mais direta, Bovino atuou como chefe dos setores de Nova Orleans e El Centro, California, dentro da Patrulha da Fronteira.
Durante o segundo mandato de Trump, em 2025, Bovino passou a chefiar uma série de operações relacionadas à política de imigração do presidente. Em junho daquele ano, Bovino esteve à frente de uma operação em Los Angeles que resultou em protestos por todo o país, dando início ao sentimento anti-ICE e às críticas sobre a atuação de órgãos como a Patrulha da Fronteira e outros envolvidos na repressão a imigrantes e em prisões irregulares.
Em meados de Outubro, Gregory Bovino já era visto pela força policial e pelo governo Trump como uma espécie de “comandante geral” – termo não-oficial utilizado publicamente pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem – de forças de combate como o ICE e a Patrulha da Fronteira.
Além de ganhar mais importância internamente, Bovino também passou a aparecer mais na mídia, atuando como “porta-voz” da polícia e, muitas vezes, seguindo a linha do governo Trump de imputar crimes e/ou desvios de conduta a vítimas de violência policial para justificar a atuação dos batalhões.
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Após a morte do enfermeiro Alex Pretti, baleado por um agente do ICE durante um protesto em janeiro deste ano, Bovino disse publicamente que o falecido “empunhava” uma arma e “pretendia causar dano máximo e massacrar agentes da lei“. Além disso, Bovino também afirmou que “as vítimas são os agentes da Patrulha da Fronteira”, e não Pretti.
As imagens que mostram a morte do enfermeiro não corroboram as afirmações de Bovino; segundo o jornal The Athlantic, Pretti – que era licenciado para porte oculto de arma – não aparece empunhando armas de fogo ou atacando os agentes presentes na manifestação.
O substituto de Bovino na organização federal deverá ser Tom Homan, ex-chefe do ICE, de acordo com o próprio Donald Trump. O presidente se refere a Homan como “czar da fronteira“.
O Departamento de Segurança Interna anunciou que Gregory Bovino deve retornar ao seu antigo cargo na chefia do setor de El Centro, Califórnia, e é esperado que o agente se aposente no futuro próximo.
