O Bahrein apresentou ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz. A votação acontece na manhã deste sábado (04/04), após ser transferida da sexta-feira (03/04), feriado na organização. O texto enfrenta oposição de China, Rússia e França, membros permanentes com poder de veto.
A proposta do Bahrein, atual presidente do Conselho de Segurança, autoriza o uso de “todos os meios defensivos necessários” para garantir a passagem de embarcações comerciais pela via marítima. O documento estabelece a aplicação das medidas de proteção por no mínimo seis meses.
O Estreito de Ormuz está praticamente fechado há mais de um mês. O bloqueio começou após Estados Unidos e Israel atacarem o Irã no fim de fevereiro. A rota marítima é responsável pela passagem de aproximadamente um quinto do petróleo e gás mundial.
O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, declarou que a “tentativa ilegal e injustificada” do Irã de controlar a navegação ameaça interesses globais e exige uma “resposta decisiva”. Ele afirmou que o país teria atacado estruturas civis, como aeroportos e portos.
Resistência ao uso da força
China, Rússia e França rejeitam qualquer linguagem que permita o uso da força para reabrir a rota marítima. O jornal The New York Times informou que os três países frustraram os esforços dos Estados árabes para obter aval do Conselho para uma ação militar contra o Irã.
O enviado da China à ONU, Fu Cong, afirmou que autorizar o uso da força “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força” e levaria a uma escalada com “graves consequências”.
Fontes diplomáticas informaram que uma versão anterior do texto teve o chamado “procedimento de silêncio” quebrado por China, França e Rússia. Os países também pressionaram para retirar trechos mais duros da proposta.
O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou a ideia de reabrir o estreito pela força. O The New York Times informou que ele classificou a proposta como “irrealista”, alertando para os riscos de ataques e para a presença de mísseis e forças da Guarda Revolucionária iraniana na região.
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Requisitos para aprovação
Uma resolução do Conselho de Segurança necessita de no mínimo nove votos favoráveis entre os 15 membros. A aprovação não pode sofrer veto de nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China.
O impasse ocorre após semanas de negociações a portas fechadas. O The New York Times informou que o ponto central da discórdia é um trecho que autoriza países a usar “todos os meios necessários” para garantir a passagem e impedir tentativas de bloqueio do estreito.
O Irã indicou que pretende manter a supervisão do tráfego no Estreito de Ormuz, mesmo após o fim da guerra. Os Estados Unidos afirmam que manterão os ataques. O país ainda não apresentou um plano definido para reabrir o estreito.
O fechamento da via marítima gerou impactos na economia global. Os custos de energia, transporte e seguros aumentaram. Os preços do petróleo registraram alta desde o início do conflito.
A ausência de um plano claro para a reabertura do Estreito de Ormuz tem gerado novas altas nos preços do petróleo. A situação também alimenta preocupações sobre a segurança da navegação internacional.
Analistas avaliam que a resolução liderada pelo Bahrein tem mais peso simbólico do que prático. Os países do Golfo têm capacidade militar limitada e dependem fortemente do apoio dos Estados Unidos. O The New York Times informou que a união dos países árabes contra Teerã no Conselho de Segurança representa uma deterioração profunda das relações regionais, após anos de tentativa de aproximação diplomática.




