Lula e Trump se reúnem por 1h20 a portas fechadas na Casa Branca

Encontro no Salão Oval começou às 12h20 e foi seguido de almoço com comitivas dos dois países, marcando primeira reunião oficial entre os líderes

Por Redação TMC | Atualizado em
Jornalistas precisaram esperar os dois presidentes após mudança no protocolo
Jornalistas precisaram esperar os dois presidentes após mudança no protocolo. (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca nesta quinta-feira (07/05). A reunião começou às 12h20 (horário de Brasília) e os dois líderes conversaram a portas fechadas por aproximadamente uma hora e 20 minutos.

A delegação brasileira pediu mudança no protocolo. Jornalistas não acompanharam o início da conversa entre os presidentes.

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O cronograma inicial previa que o encontro começaria às 12h. Na sequência, haveria declarações dos líderes à imprensa antes do almoço. O período com jornalistas não aconteceu.

Por volta de 13h45, Lula, Trump e suas comitivas se dirigiram para o almoço. Esta é a sexta visita oficial do petista à sede do governo americano. É a primeira com Donald Trump.

Comitivas e temas em discussão

Cinco ministros brasileiros acompanharam Lula: Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington César Lima e Silva (Justiça), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, integra a comitiva. Ele não participou da reunião no Salão Oval.

Trump estava acompanhado de J. D. Vance, vice-presidente. Também estavam presentes Susie Wiles, chefe de gabinete, Howard Lutnick, secretário do Comércio, Scott Bessent, do Tesouro, e Jamieson Greer, representante comercial dos EUA.

O presidente brasileiro chega ao encontro com duas principais demandas. Lula busca apresentar um acordo para combater crime organizado. Também pretende discutir questões relacionadas a tarifas.

A proposta brasileira para cooperação em segurança pública inclui colaboração no combate ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro. A busca pelo acordo acontece enquanto o governo Trump estuda designar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas.

O Brasil trabalha para evitar a designação do PCC e do CV como organizações terroristas. Na visão do governo Lula, o rótulo abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O governo teme a exploração política do tema pelos bolsonaristas durante a campanha eleitoral.

Na pauta do encontro estão as investigações da seção 301 que o governo Trump abriu contra o Brasil. Elas podem resultar em sanções e tarifas contra o país.

Do lado americano, os temas prioritários devem ser a exploração de minerais críticos no Brasil e a atuação das big tech americanas no país.

Leia mais: Lula chega à Casa Branca em meio a tensões comerciais e risco de novas tarifas dos EUA

Mudança no protocolo

A delegação brasileira pediu alteração no protocolo para prolongar a reunião a portas fechadas. Solicitou que a imprensa entrasse no Salão Oval apenas no final da conversa.

A solicitação ocorreu após desconforto de Lula com a presença de jornalistas desde o começo da conversa que teve com Trump em Kuala Lumpur, na Malásia, em outubro de 2025. Na visão do brasileiro, isso atrapalhou o andamento daquela reunião.

O encontro no Salão Oval estava previsto no cerimonial por um período breve. Segundo o cronograma inicial, às 12h45 (horário de Brasília), os presidentes já deveriam estar em almoço. A reunião a portas fechadas se alongou.

O cardápio, segundo assessores do governo americano, incluiu uma entrada de salada com nabo, laranja e abacate. O prato principal foi composto por carne grelhada, purê de feijão preto, pimentões e uma espécie de conserva de rabanete com abacaxi. Para sobremesa, os líderes tiveram pêssegos caramelizados, panna cotta com mel e sorvete de nata.

Em mandatos anteriores, Lula visitou a Casa Branca em 2002 — ainda como eleito, antes de assumir o cargo. Retornou em 2003 e 2008, em encontros com o então presidente George Bush.

Em 2009, encontrou Barack Obama. Já em seu terceiro mandato, o brasileiro foi recebido por Joe Biden, em 2023.

Não é esperado que seja firmado um acordo durante esta visita. Há uma avaliação por parte de fontes próximas a Lula que, apesar do espectro político em que ambos estão, todas as promessas de Trump sobre conversas e encontros foram cumpridas.

O conteúdo específico das conversas mantidas a portas fechadas entre os dois presidentes não foi divulgado até o momento.

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