A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos trouxe mais uma preocupação para os líderes da América Latina, afirmou o jornalista e advogado Marcio Aith, nesta terça-feira (6/01), em entrevista à TMC.
Para Aith, o líder venezuelano poderia ser estimulado a fazer uma delação à Justiça norte-americana, o que poderia comprometer líderes do continente.
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“Existe um histórico de violação de lei eleitoral e de soberania nacional por parte da Venezuela sobre países, como o Brasil, Equador, Peru, Argentina, Bolívia. Alguns casos são comprovados, como Argentina e Peru, com delações premiadas, com apreensão de dinheiro vivo. Seriam 21 milhões de dólares somente para a campanha da Cristina Kirchner“, aponta.
Aith lembra que muitos casos já foram comprovados. “Tivemos também delações da Odebrecht, falando da contribuição do Maduro para a eleição no Peru. Financiamento da Venezuela para países da América Latina, principalmente em períodos de eleição, isso já está comprovado.”
“A grande questão é, com a classificação de Maduro como narcoterrorista, seja isso verdade ou não, nós começamos a olhar estes episódios com outros olhos, com olhos intervencionistas, não por parte da política, mas pelo lado do terrorismo, do Cartel de Soles, pela alusão às insígnias dos sóis nos uniformes militares venezuelanos.”
O jornalista acredita que uma eventual delação poderia ligar outros líderes com o narcoterrorismo. “Se houver uma delação do Maduro, você tem um compadrio de narcoterrorismo entre o presidente venezuelano e os líderes da América Latina. Ele não pode delatar para baixo. Acho que a única delação que valeria a pena para ele seria a delação para os lados, envolvendo líderes de estado, presidentes de outras nações, que não seja a Venezuela.”
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