A Starlink bloqueou o acesso à internet via satélite para forças russas que atuam em território ucraniano. A medida foi implementada neste mês de fevereiro, após solicitação do governo de Kiev, que identificou o uso não autorizado dos equipamentos pelas tropas de Moscou.
Blogs militares pró-Rússia confirmam que soldados russos estão enfrentando problemas de conectividade na linha de frente. O bloqueio representa mais um capítulo no conflito que já dura quase quatro anos e se transformou em uma constante disputa tecnológica.
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Segundo reportagem do The New York Times, a guerra na Ucrânia tem estabelecido novos parâmetros para conflitos armados contemporâneos, com tecnologias de comunicação desempenhando papel fundamental nas operações militares.
A decisão da empresa de Musk ocorreu depois que autoridades ucranianas alertaram sobre o uso de terminais Starlink contrabandeados por forças russas, não apenas para comunicações básicas, mas também para aumentar a eficácia de seus drones em ataques.
Em janeiro, o ministro da Defesa ucraniano Mykhailo Fedorov, ex-empreendedor de tecnologia de 35 anos, contatou a Starlink para resolver o problema. A empresa implementou um sistema que bloqueia o serviço na Ucrânia para todos os terminais não cadastrados e validados pelo governo ucraniano.
As restrições afetam diretamente as tropas russas que utilizavam equipamentos Starlink obtidos ilegalmente. Tanto as conexões usadas em drones quanto o acesso à rede por soldados na linha de frente foram interrompidos, conforme relatado por canais militares no Telegram.
Além da exigência de registro em uma “lista branca” de dispositivos autorizados, os terminais Starlink em operação na Ucrânia agora têm velocidade limitada a aproximadamente 75 km/h, o que dificulta seu uso em drones de ataque de longo alcance.
Michael Kofman, especialista em Forças Armadas russas e pesquisador sênior do Carnegie Endowment for International Peace, avalia que “é cedo para medir o impacto total, mas, pelo nível das reclamações russas, isso já está fazendo diferença”, em declaração ao New York Times.
Após a implementação das restrições, Musk confirmou a eficácia das medidas em publicação no X, em 1º de fevereiro: “Parece que as medidas que adotamos para impedir o uso não autorizado do Starlink pela Rússia funcionaram. Avisem se precisarmos fazer mais.”
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O Exército russo enfrenta dificuldades desde 2022 para estabelecer um sistema de comunicação em campo que seja seguro e confiável. Segundo blogueiros militares russos, as tropas podem ser forçadas a retornar a tecnologias consideradas “do passado”, como internet cabeada, Wi-Fi e comunicações por rádio.
O blogueiro pró-guerra Boris Rozhin, do canal Colonelcassad no Telegram, reconheceu os problemas: “A novela Starlink abriu uma brecha séria nas comunicações, que o inimigo pode tentar explorar”. Ele também observou que não existe atualmente outra solução de internet em campo com desempenho equivalente.
Serhiy Beskrestnov, assessor de Fedorov, foi enfático em publicação no Facebook sobre o impacto das restrições: “o inimigo não tem só um problema, o inimigo tem uma catástrofe”.
Fedorov comemorou a mudança em publicação no X, agradecendo a Musk: “Estamos trabalhando bem de perto com sua equipe nos próximos passos importantes. Obrigado por estar ao nosso lado. Você é um verdadeiro defensor da liberdade e um verdadeiro amigo do povo ucraniano.”
