Uma frota com mais de 100 navios chineses se posicionou ao redor de Taiwan, formando um cerco naval que abrange o Mar Amarelo, o Mar do Sul da China e o Pacífico Ocidental. A movimentação ganhou escala após o fim da cúpula entre os líderes dos Estados Unidos e da China em Pequim.
O deslocamento das embarcações havia começado antes do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. Após o término da reunião, o número de navios subiu para mais de 100 e passou a incluir embarcações de pesquisa.
Alerta de Taipé
Joseph Wu, chefe do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, publicou no X um alerta sobre a situação. Segundo Wu, a China é o único fator que, nesta parte do mundo, destrói o status que ameaça a paz e a estabilidade regionais.
A Marinha e a Guarda Costeira chinesas realizam treinamentos regulares nas águas próximas a Taiwan. Pequim intensificou a pressão militar sobre a ilha nos últimos anos.
Armas congeladas e orçamento cortado
Ao mesmo tempo em que a frota chinesa se expande, Taiwan enfrenta um revés no acesso a armamentos americanos. O chefe interino da Marinha americana confirmou o congelamento de uma venda de US$ 14 bilhões em armas a Taipé. A suspensão foi adotada para garantir munição destinada à guerra no Irã. O governo de Taiwan insistiu que o compromisso dos EUA com sua defesa não mudou.
Na prática, o congelamento deixa Taiwan mais vulnerável num momento em que a pressão naval chinesa cresce. Xi Jinping alertou Trump, durante a cúpula, que a questão de Taiwan é o tema mais sensível nas relações entre os dois países.
Dentro do próprio território taiwanês, o debate sobre defesa também divide opiniões. O presidente Lai Ching-te havia proposto um aumento de quase US$ 40 bilhões nos gastos militares. O Parlamento de Taiwan, porém, reduziu o valor para US$ 25 bilhões. Neste sábado (23/05), milhares de taiwaneses foram às ruas em marchas de apoio ao plano original de rearmamento.
Japão entra na disputa
A tensão regional ganhou um novo eixo com declarações da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi. Em novembro do ano passado, ela afirmou que um ataque chinês a Taiwan poderia justificar a intervenção do exército do Japão. Pequim respondeu aconselhando seus cidadãos a evitar viagens ao país.
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