Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, cancelou a segunda fase de operações militares contra a Venezuela após o governo interino venezuelano libertar prisioneiros políticos. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (9/01), seis dias depois da operação americana que resultou na captura de Nicolás Maduro.
“A Venezuela está libertando um grande número de presos políticos como um sinal de que está ‘buscando a paz’. Este é um gesto muito importante e inteligente. Os EUA e a Venezuela estão trabalhando bem juntos, especialmente no que diz respeito à reconstrução, em uma escala muito maior, melhor e mais moderna, de sua infraestrutura de petróleo e gás”, afirmou Trump.
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O presidente americano destacou que a cooperação demonstrada pela presidente interina Delcy Rodríguez motivou o cancelamento dos novos ataques.
“Em razão dessa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques [à Venezuela] que estava prevista, porque ao que tudo indica ela não será necessária. No entanto, todos os navios permanecerão posicionados por motivos de segurança”, declarou.
A libertação dos prisioneiros foi anunciada na quinta-feira (8/01) por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana e irmão da presidente interina. Entre os beneficiados está a ativista Rocío San Miguel, que possui nacionalidade venezuelana e espanhola, detida desde 9 de fevereiro de 2024 no Helicoide, instalação descrita por organizações de direitos humanos como “centro de tortura”.
O ex-candidato presidencial Enrique Márquez, preso desde o início de 2025, também deve ser libertado. Jorge Rodríguez informou que “um número significativo de venezuelanos e estrangeiros” será solto.
A primeira fase da operação militar americana ocorreu no último final de semana, quando forças dos EUA entraram em Caracas para capturar Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O governo venezuelano contabilizou 100 mortes durante essa ação.
Trump disse que a indústria petroleira investirá “pelo menos US$ 100 bilhões (cerca de R$ 540 bi)” na Venezuela e que se reunirá com executivos do setor na Casa Branca ainda hoje para discutir esses investimentos.
Em sua declaração, Jorge Rodríguez agradeceu aos esforços do ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente Lula e ao regime do Qatar, “que sempre estiveram ao lado do povo da Venezuela para defender o direito que temos à vida plena e à autodeterminação”.
O presidente americano também indicou que os EUA iniciarão “em breve” ataques terrestres contra cartéis do tráfico de drogas, sem especificar locais ou alvos.
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