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Trump rompe diálogo com Irã e incentiva manifestantes a “tomarem as instituições”

"MIGA!! (Make Iran Great Again)", escreveu o presidente em suas redes; oposição ao regime permanece fragmentada

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, cancelou todas as conversas com autoridades iranianas e incentivou manifestantes a “tomarem as instituições” do país. O anúncio foi feito nesta terça-feira (13/01) por meio de sua conta na rede social Truth Social. A decisão ocorre um dia após o Irã afirmar que mantinha canais de comunicação abertos com os EUA.

A postura atual contrasta com a declaração feita por Trump no domingo (11/01), quando mencionou a possibilidade de encontros entre representantes dos dois países. Na mensagem publicada hoje, o presidente republicano expressou apoio direto aos manifestantes iranianos.

“Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR — TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guarde os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. SOCORRO ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!! [Make Iran Great Again]”, escreveu Trump.

As manifestações em andamento no Irã constituem um dos maiores desafios enfrentados pelo regime desde a Revolução Islâmica de 1979, que estabeleceu o atual sistema político-religioso no país. Os protestos acontecem em várias cidades, com participantes desafiando abertamente as autoridades.

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No domingo, além de mencionar possíveis reuniões com autoridades iranianas, Trump ameaçou possível ação militar em resposta à violência contra manifestantes e afirmou estar em contato com a oposição iraniana.

Os protestos no território iraniano se iniciaram em 28 de dezembro de 2025. A mobilização foi motivada pela grave situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda e inflação de 42,2% registrada em dezembro de 2025. O aumento dos preços de bens essenciais levou comerciantes e trabalhadores às ruas para exigir alívio econômico.

O movimento cresceu com a adesão de mais pessoas, que passaram a reivindicar reformas políticas e do sistema judiciário, maior liberdade e a criticar o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. As autoridades iranianas responderam com repressão. Segundo informações da Hrana (Human Rights Activists News Agency), agentes utilizaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para conter as manifestações. Em 9 de janeiro, o acesso à internet foi cortado no país.

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, tem se referido aos manifestantes como “sabotadores”.

Leia mais: Bancos centrais manifestam apoio a Powell após investigação nos EUA

Khamenei, aiatolá de 86 anos, está no poder desde 1989. Ele lidera uma teocracia islâmica xiita que concentra poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício com autoridade sobre todos os Poderes constitucionais. O regime iraniano, fundamentado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições às mulheres, como o uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e a necessidade de autorização do marido para viagens internacionais.

A oposição ao regime permanece fragmentada entre monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto que são reprimidos, sem uma liderança unificada.

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