O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega nesta quarta-feira (21/01) ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em meio a uma escalada de tensões com a Europa. Declarações recentes, ameaças comerciais e gestos políticos do governo americano colocaram a Groenlândia no centro de uma crise diplomática com aliados europeus e passaram a dominar a agenda do encontro.
Antes mesmo da abertura do fórum, Trump concentrou as atenções ao atacar aliados nas redes sociais, criticar decisões do Reino Unido e divulgar mensagens privadas de líderes como o presidente francês, Emmanuel Macron, e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Em uma das publicações, compartilhou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece hasteando a bandeira dos EUA na Groenlândia, com a legenda “Território dos EUA. Fundado em 2026”.
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Com cerca de 3 mil participantes de 130 países — incluindo 65 chefes de Estado e 850 executivos —, Davos passou a ser tratado por autoridades europeias como um espaço de contenção de danos. Líderes da União Europeia (UE) e da Otan usam discursos e reuniões paralelas para responder às ameaças, reafirmar apoio à Dinamarca e discutir possíveis contramedidas.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a antiga relação transatlântica chegou ao fim e defendeu que a Europa se adapte a um cenário mais instável. Emmanuel Macron disse que o continente não aceitará intimidações e que a resposta deve se basear no Estado de Direito. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, alertou para uma ruptura na ordem internacional. Nenhum citou Trump diretamente.
À margem do fórum, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, criticou a resposta europeia às ameaças tarifárias dos EUA e defendeu uma posição mais unificada do continente.
Trump discursa em Davos pela terceira vez. O governo americano anunciou uma delegação considerada a maior já enviada ao evento, com cinco integrantes do gabinete, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick. Em declarações recentes, o presidente sugeriu a possibilidade de um acordo com aliados no âmbito da Otan, sem detalhar os termos.
A Casa Branca informou que Trump deve defender, em Davos, a necessidade de EUA e Europa superarem a “estagnação econômica”, além de destacar a pauta da moradia, com foco no público doméstico. Também é esperado que ele enfatize a projeção de poder americano no exterior e apresente iniciativas de política internacional.
A retórica sobre a Groenlândia voltou a subir de tom na terça-feira (20/01), quando Trump afirmou que líderes europeus ofereceriam pouca resistência à incorporação do território, considerado por ele estratégico para a segurança dos EUA. As declarações ocorreram após o anúncio de tarifas de 10% sobre exportações da Dinamarca e de outros sete países europeus alinhados contra a iniciativa, o que reacendeu temores de uma guerra comercial transatlântica.
A UE avalia medidas de retaliação, incluindo a retomada de um plano de tarifas de até 93 bilhões de euros sobre produtos americanos. Em Davos, Von der Leyen afirmou que a resposta europeia será “firme, unida e proporcional”, ao mesmo tempo em que sinalizou disposição para cooperar com os EUA em segurança no Ártico.
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Macron afirmou que a escolha do momento é entre aceitar a “lei do mais forte” ou defender um multilateralismo eficaz. Segundo ele, a França pretende usar sua presidência do G7 para reforçar o diálogo e evitar novas escaladas comerciais e políticas.
