O presidente dos EUA Donald Trump disse na primeira reunião do seu Conselho da Paz, nesta quinta-feira (19/2), que as nações contribuíram com US$7 bilhões para um fundo de reconstrução de Gaza que visa reconstruir o enclave assim que o Hamas se desarmar, um objetivo que está longe de se tornar realidade.
O desarmamento dos militantes do Hamas e a retirada das tropas israelenses, o tamanho do fundo de reconstrução e o fluxo de ajuda humanitária para a população devastada pela guerra em Gaza estão entre as principais questões que provavelmente testarão a eficácia do conselho nos próximos meses.
Em uma série de anúncios no final de um longo e sinuoso discurso aos representantes de 47 nações, Trump disse que os Estados Unidos contribuirão com US$10 bilhões para o Conselho da Paz.
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Ele disse que as nações contribuintes levantaram US$7 bilhões como pagamento inicial para a reconstrução de Gaza. Entre as nações contribuintes estão Cazaquistão, Azerbaijão, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Barein, Catar, Arábia Saudita, Uzbequistão e Kuweit, disse ele.
Trump propôs o conselho em setembro, quando anunciou seu plano para acabar com a guerra de Israel em Gaza. Mais tarde, ele deixou claro que a competência do conselho se expandiria além de Gaza para lidar com outros conflitos em todo o mundo.
Trump disse que a Fifa arrecadará US$75 milhões para projetos relacionados ao futebol em Gaza e que a Organização das Nações Unidas contribuirá com US$2 bilhões para assistência humanitária.
Trump disse que a Noruega sediaria um evento do Conselho da Paz, mas a Noruega esclareceu que não faria parte do conselho.
Desarmamento do Hamas é questão fundamental
O Hamas, temeroso de represálias israelenses, tem relutado em entregar armas como parte do plano de 20 pontos de Trump para Gaza, que trouxe um frágil cessar-fogo em outubro passado na guerra de dois anos em Gaza.
Trump disse que espera que não seja necessário usar a força para desarmar o Hamas. Ele afirmou que o Hamas prometeu desarmar-se e que “parece que eles vão fazer isso, mas teremos que descobrir”.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse em Israel que o Hamas será desarmado de uma forma ou de outra. “Muito em breve, o Hamas enfrentará um dilema: desarmar-se pacificamente ou ser desarmado à força”, disse ele.
Em Gaza, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, disse que qualquer força internacional deve “monitorar o cessar-fogo e impedir que a ocupação (israelense) continue sua agressão”. O desarmamento poderia ser discutido, disse ele, sem se comprometer diretamente com isso.
O evento teve o clima de um comício da campanha de Trump, com música alta de sua eclética lista de reprodução, que incluía Elvis Presley e os Beach Boys. Os participantes receberam bonés vermelhos de Trump.
O Hamas, que retomou a administração do enclave em ruínas, diz que está pronto para entregar o poder a um comitê de tecnocratas palestinos apoiado pelos EUA e liderado por Ali Shaath, mas que Israel não permitiu que o grupo entrasse em Gaza. Israel ainda não se pronunciou sobre essas afirmações.
Nikolay Mladenov, um búlgaro com cargo sênior no Conselho de Paz, disse na reunião que 2.000 palestinos se inscreveram para ingressar em uma nova força policial palestina de transição.
“Temos que acertar isso. Não há plano B para Gaza. O plano B é voltar à guerra. Ninguém aqui quer isso”, disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
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Por Reuters
