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Trump e Lula têm boa relação após início acidentado, diz secretário dos EUA

Scott Bessent defendeu que segundo mandato de Trump representa chance de transformar relações com região

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, destacou as relações entre Brasil e Estados Unidos durante evento em São Paulo nesta terça-feira (10/02).

Ele afirmou que, após um início “acidentado”, os presidentes Donald Trump e Lula estabeleceram uma “boa relação pessoal” e que o segundo mandato de Trump representa uma oportunidade para transformar as relações com a América Latina.

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Eu acho que esta é uma oportunidade geracional“, declarou Bessent durante apresentação no evento promovido pelo BTG Pactual na capital paulista. Segundo o secretário, a administração Trump pretende utilizar instrumentos econômicos e militares para influenciar direcionamentos políticos na região.

Bessent argumentou que governos latino-americanos com orientação pró-mercado foram negligenciados durante a administração Obama, o que teria representado uma chance perdida para maior aproximação econômica entre os EUA e países da região.

Sobre o Brasil, além da menção à relação entre Trump e Lula, Bessent comentou sobre o comportamento dos mercados financeiros. “Os mercados costumam reagir primeiro à possibilidade de boas políticas, com uma reprecificação, e depois pode haver volatilidade. Caberá aos governos entregar”, afirmou.

Uma reunião entre Lula e Trump está agendada para a primeira semana de março em Washington. Na ocasião, o presidente brasileiro buscará resolver pendências do acordo que suspendeu a maior parte das tarifas contra produtos brasileiros.

Bessent indicou que a Venezuela também está nos planos americanos. Segundo ele, a intervenção e extradição de Nicolás Maduro demonstraram a força militar dos EUA, e as autoridades que atualmente governam o país estariam colaborando com Washington para realizar “eleições livres e justas”.

Ao falar sobre a Argentina, o secretário revelou que o Tesouro americano ofereceu apoio econômico a Javier Milei durante sua campanha eleitoral para contrapor tentativas de desestabilização promovidas por forças ligadas ao kirchnerismo.

“O presidente Trump o endossou, e havia tentativas de usar forças de mercado para fazer com que ele perdesse apoio”, explicou Bessent, classificando o resultado eleitoral argentino como “notavelmente bem-sucedido”.

O secretário também mencionou sinais de recuperação no Chile, após o que chamou de período de “insanidade temporária”, e na Bolívia, que estaria buscando reintegração ao sistema econômico internacional depois de décadas sob políticas socialistas.

Leia mais: Macron defende empréstimos conjuntos na UE e critica acordo com Mercosul

Política Econômica dos EUA

Em relação à política econômica americana, Bessent esclareceu que a estratégia de “dólar forte” da administração Trump não envolve intervenções diretas no câmbio, mas sim o fortalecimento dos fundamentos econômicos dos EUA para atrair capital.

Ele negou haver fragilidade estrutural do dólar, atribuindo movimentos recentes mais à recuperação de outras economias do que a uma perda de relevância da moeda americana como reserva global.

Sobre a indicação de Kevin Warsh para presidir o Fed, o secretário explicou que o governo buscava alguém com “mente aberta”, não comprometido com uma agenda predefinida de juros. Bessent afirmou que Warsh combina experiência macroeconômica com conhecimento em tecnologia, qualidades importantes diante do avanço da inteligência artificial.

O secretário do Tesouro indicou que o governo Trump trabalha para evitar que os Estados Unidos entrem em um cenário de estagnação semelhante ao europeu, caracterizado por alto endividamento, aumento de impostos e baixo crescimento econômico.

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