O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma frota militar liderada pelo porta-aviões Abraham Lincoln em direção ao Irã nesta quarta-feira (28/01).
A ação visa pressionar Teerã a aceitar um acordo que elimine seu programa nuclear. O governo iraniano afirmou estar preparado para se defender caso seja atacado.
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A mobilização representa um aumento nas tensões entre EUA e Irã. Trump comparou a operação atual com a recente ação na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro, destacando que a frota enviada ao Irã é ainda maior.
A pressão ocorre após os bombardeios de junho de 2025, quando forças americanas e israelenses atacaram instalações nucleares iranianas durante a “Operação Martelo da Meia-Noite”.
As ameaças do presidente americano acontecem em um contexto de preocupação dos EUA com o programa nuclear iraniano.
Trump deixou claro seu objetivo de forçar o Irã a abandonar suas ambições nucleares e iniciar negociações rapidamente, advertindo que uma nova ação militar seria mais severa caso suas exigências não sejam atendidas.
Escalada de tensões no Oriente Médio
A crise intensificou-se nas últimas semanas, com Trump utilizando sua rede social para anunciar o envio das forças militares. O deslocamento do porta-aviões Abraham Lincoln para o Oriente Médio foi confirmado por autoridades de ambos os países.
Washington busca o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano. Trump tem pressionado o Irã não apenas pela questão nuclear, mas também devido à repressão governamental contra manifestantes.
Segundo dados de ativistas, a repressão do governo iraniano contra protestos em todo o país já causou a morte de pelo menos 6.159 pessoas.
No dia 23 de janeiro, uma autoridade do alto escalão iraniano afirmou que o país está se preparando para o “pior cenário”, incluindo uma “guerra total”.
“Uma enorme armada está a caminho do Irã. Ela se move rapidamente, com grande poder, entusiasmo e determinação. É uma frota maior, liderada pelo magnífico porta-aviões Abraham Lincoln, do que a enviada à Venezuela. Assim como no caso da Venezuela, está pronta, disposta e apta a cumprir sua missão rapidamente, com velocidade e violência, se necessário”, escreveu Trump em sua rede social.
O presidente americano também advertiu: “Esperamos que o Irã se sente à mesa de negociações o mais breve possível e chegue a um acordo justo e equitativo – sem armas nucleares – um acordo que seja bom para todas as partes. O tempo está se esgotando, é realmente essencial! Como eu disse ao Irã uma vez, façam um acordo! Eles não fizeram e houve a ‘Operação Martelo da Meia-Noite’, uma grande destruição do Irã. O próximo ataque será muito pior! Não deixem isso acontecer novamente”.
Resposta iraniana
Em resposta, a missão do Irã junto à ONU emitiu comunicado afirmando que “O Irã está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e nos interesses comuns, mas se pressionado, se defenderá e responderá como nunca antes”.
O chanceler iraniano Abbas Araghchi negou que tenha havido qualquer contato recente com o enviado especial americano para o Oriente Médio, contradizendo afirmações de Trump de que o Irã teria “ligado várias vezes” buscando negociações.
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“Conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil. Se eles querem que as negociações avancem, certamente precisam deixar de lado ameaças, exigências excessivas e a colocação de questões ilógicas“, declarou Araghchi.
No início do mês, Trump já havia feito ameaças ao Irã devido às mortes causadas pela repressão aos protestos. As tensões diminuíram temporariamente quando autoridades iranianas desistiram de executar manifestantes detidos, mas voltaram a aumentar com o envio da frota americana.
