O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou pessoalmente uma jornalista que o perguntou, durante entrevista coletiva, sobre os recentes desdobramentos do caso Jeffrey Epstein. Trump – que é citado diversas vezes nos documentos ligados ao financista condenado por tráfico e exploração sexual de menores – se incomodou e passou a ofender a repórter e a CNN, emissora para a qual ela trabalha.
Durante a sessão de ofensas, um enfurecido Trump se referiu à jornalista – identificada como Kaitlan Collins – como “a pior jornalista”, a criticou por “nunca ter dado um sorriso em 10 anos”, e alegou que “a CNN não tem audiência por causa de pessoas como você”.
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Collins havia mencionado a Trump que vítimas de Epstein estariam insatisfeitas com o volume de trechos retidos, censurados ou obstruídos nos documentos, publicamente disponíveis no portal do Departamento de Justiça.
O presidente pediu que “o país siga em frente” e fale sobre “outra coisa” agora que os documentos ligados a Epstein foram divulgados publicamente, mas a repórter insistiu na linha de questionamento e Trump perdeu a compostura. Collins perguntou o que o presidente teria a dizer para as vítimas que afirmam que “a justiça não foi feita” com relação ao caso.
“Você é a pior repórter. Não me espanta a CNN não ter audiência por causa de pessoas como você”, esbravejou Trump. “Eu nunca a vi sorrir; eu te vejo aqui há 10 anos, mas nunca vi um sorriso no seu rosto“.
A repórter rebateu dizendo que está falando sobre um tema grave, o caso Epstein, motivo pelo qual não estaria sorrindo. Trump, porém, não deixou Collins concluir sua fala e logo passou a atacá-la novamente; para o presidente, Collins “não diz a verdade” e é “muito desonesta”.
“Eles [CNN] deveriam ter vergonha de você”, concluiu o presidente.
Apesar de não ter sido formalmente acusado, Donald Trump é um dos nomes mais ligados ao falecido Epstein, aparecendo em fotos, vídeos, correspondências e até cartas pessoais ligadas ao financista. O presidente chegou a descrevê-lo no passado como um de seus melhores amigos, apesar de ter mudado o discurso em 2025 e dizer que “não sabia de seus crimes”.
O que foi o “Caso Epstein”, e por que ele importa
Jeffrey Epstein foi um financista estadunidense notório por ter cultivado, com seu dinheiro e influência, um círculo social de elites em todo o mundo. O magnata viria a transformar seu enorme livro de contatos em uma rede global de tráfico e exploração sexual de menores de idade, e chegou a ser condenado por prostituição de uma menor em 2008.
Epstein era conhecido pelas festas que promovia em sua “ilha pessoal”. Participaram dessas festas celebridades, atletas, políticos, empresários, cientistas e pessoas notáveis de praticamente todas as áreas da sociedade, o que também dava a Epstein acesso e poder inimagináveis; tanto pelo contato direto entre ele e as elites, quanto pela conhecida chantagem que o financista realizava com seus clientes, que temiam que Epstein divulgasse o que fizeram na sua mansão caso não o obedecessem. A mansão do financista contava com uma enorme quantidade de câmeras e microfones, capturando tudo que ali acontecia.
Quando o financista foi preso em 2019 por tráfico sexual de menores na Flórida e em Nova York, a população e setores da política dos Estados Unidos pressionaram o governo Trump a extrair de Epstein toda a verdade sobre os “Arquivos Epstein” – suas correspondências, os registros de voos para sua ilha, quem esteve na casa dele ao longo dos anos, entre outros.
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A verdade, porém, ficaria obstruída; no dia 10 de agosto de 2019, Jeffrey Epstein morreu na prisão, alegadamente após se suicidar em sua própria cela. Especialistas forenses desafiam a conclusão do poder público, e uma fita do FBI dizendo mostrar vídeos das câmeras de segurança do presídio possuía quase 3 minutos de imagens perdidas.
A divulgação dos “Arquivos Epstein” foi ignorada, contra a vontade e os protestos da população, pelos governos Biden e Trump até 2025. Depois de prometer, em sua campanha, que divulgaria os Arquivos Epstein caso fosse reeleito, o atual presidente Donald Trump o fez com quase um ano de atraso e resistência.
Documentos nos Arquivos Epstein “podem ser falsos”, alega governo Trump
Os novos documentos divulgados no caso Epstein podem ser livremente acessados no portal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que encabeça os esforços do Ato de Transparência dos Arquivos Epstein.
Mesmo assim, o próprio Departamento comunicou uma mensagem confusa em nota oficial: no mesmo texto, o órgão afirma que realizou uma inspeção rigorosa da documentação enviada ao FBI, mas também alega que podem existir provas “falsas ou falsamente submetidas”, especialmente aquelas que incluírem “acusações contra o Presidente Trump”.
