O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou nesta sexta-feira (30/01) que seu país estará “tecnicamente pronta” para ingressar na União Europeia em 2027. A afirmação foi feita durante negociações realizadas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo o líder ucraniano, garantir uma adesão “acelerada” ao bloco europeu constitui parte essencial das garantias de segurança para o período pós-guerra com a Rússia.
A projeção para 2027 surge poucos dias após Zelensky manifestar, na terça-feira (27/01), sua expectativa de que a Ucrânia se torne membro da União Europeia já no próximo ano. Estas manifestações ocorrem em momento crítico para o país, que enfrenta intensos bombardeios à sua infraestrutura energética, deixando a população sem aquecimento adequado durante o inverno ou dependente de geradores.
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O presidente ucraniano indicou que seu país interromperia ataques contra território russo caso Moscou cessasse os bombardeios à infraestrutura energética ucraniana. Zelensky também afirmou que a Rússia suspendeu as trocas de prisioneiros de guerra. Os EUA propuseram que ambas as nações evitem utilizar capacidades de longo alcance, embora o líder ucraniano tenha esclarecido que não existe acordo formal de cessar-fogo relacionado a alvos energéticos entre os países em conflito.
A próxima rodada de conversações estava inicialmente prevista para domingo (1°), também em Abu Dhabi, mas Zelensky indicou que a data e o local podem ser alterados. O presidente afirmou desconhecer quando exatamente ocorrerá o próximo encontro.
De acordo com reportagem do “Financial Times”, o governo Trump sinalizou que as garantias de segurança dos Estados Unidos para a Ucrânia no período pós-guerra dependeriam da concordância de Kiev em ceder à Rússia a soberania sobre a região de Donbas. O jornal britânico também informou que Washington poderia oferecer mais armamentos para fortalecer o exército ucraniano após o conflito caso Zelensky aceitasse retirar suas forças dos territórios de Donetsk e Luhansk que ainda controla.
No domingo (25/01), o presidente ucraniano declarou que um documento contendo as garantias de segurança que os Estados Unidos forneceriam à Ucrânia após o término da guerra estava “100% pronto”, aguardando apenas a definição de data e local para assinatura.
Zelensky manifestou impossibilidade de encontrar-se com Putin em Moscou, afirmando que os acordos finais sobre o plano de paz só poderiam ser alcançados em uma reunião entre os líderes. O presidente ucraniano disse estar preparado para qualquer formato de cúpula, exceto em Moscou ou na Bielorrússia, chegando a convidar o líder russo: “Estou convidando-o (Putin) publicamente (para Kiev) se ele se atrever, é claro”.
A publicação do “Financial Times” ocorreu após Estados Unidos, Ucrânia e Rússia realizarem as primeiras reuniões trilaterais para discutir o fim da guerra. Estas conversações aconteceram depois de um 2025 marcado por negociações ineficazes e pela promessa do presidente norte-americano, Donald Trump, de que encerraria o conflito em 24 horas quando retornasse à Casa Branca.
Zelensky classificou como “construtivas” as primeiras reuniões trilaterais entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos. Os Emirados também classificaram as conversas como “construtivas”, enquanto a Rússia descreveu o encontro como “um começo construtivo” e indicou que as negociações continuariam durante esta semana. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou na segunda-feira que Trump continua engajado pela paz na guerra da Ucrânia e chamou de “históricas” as reuniões ocorridas no último fim de semana nos Emirados.
