“Vamos ver agora uma queda do petróleo acentuada”, diz economista Igor Lucena

“Bolsas vão continuar em alta, em crescimento em zigue-zague” afirmou o especialista em entrevista à TMC

Por Redação TMC | Atualizado em
Igor Lucena aparece em primeiro plano
(Foto: @imlucena via Instagram)

O cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos e pelo Irã, na noite de terça-feira (8/04), deve acalmar a economia pelos próximos dias, com direito a uma “queda acentuada do petróleo”, afirmou o economista Igor Lucena, em entrevista à TMC, nesta quarta-feira.     

“O que vamos ver agora é uma queda do petróleo acentuada. Não acredito que voltaremos a patamares pré-guerra. Mas podemos ter barril a US$ 80, US$ 90. As bolsas vão continuar em alta, como estamos vendo agora. Esse crescimento vai vir num zigue-zague, em processo de recomposição”, ponderou Lucena.

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Ele explicou a relação entre o petróleo e as bolsas. “O preço do petróleo chega a ser inversamente proporcional ao retorno das bolsas. Ou seja, quanto mais sobe o petróleo, significa que os custos operacionais vão subir de uma maneira geral. E as bolsas caem porque o lucro futuro das empresas também caem, devido aos maiores custos.” 

Para o economista, um dos saldos econômicos deste conflito é o novo fortalecimento da moeda americana. “O dólar se valorizou. Havia a ideia de que a moeda americana poderia estar perdendo força em nível global. Mas aconteceu o contrário.”

Infografia comparando a evolução porcentual dos contratos futuros do petróleo bruto WTI (West Texas Intermediate) com uma seleção de índices de bolsas de valores em 7 de abril. (Infografia de Nicholas SHEARMAN/AFP)

Infografia com o preço do petróleo bruto (Brent) durante os últimos 20 anos, a partir de dados Bloomberg até 1º de abril. (Infografia de AFP)

Questões políticas

Lucena, que também é doutor em relações internacionais, acredita que o cessar-fogo vai trazer tranquilidade interna para o presidente Donald Trump. 

“O presidente Trump fica aliviado porque na prática ele agora consegue ter um respiro em relação à economia americana, que já começava a dar sinais de ter problemas, próximo a um período eleitoral, o que seria péssimo para ele”, afirmou, em referência às eleições de meio de mandato, em novembro deste ano. 

“Mas, ao mesmo tempo, o presidente tenta sair de um xeque-mate que ele criou contra si mesmo. Nas próximas semanas, vamos assistir negociações duras dos dois lados. Mas o Trump entendeu que, mesmo com o mais alto blefe, os iranianos dobraram a aposta, colocaram pessoas ao redor de usinas…”, complementou Lucena.

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Apesar disso, o especialista acredita que o conflito tenha trazido mais derrotas do que vitórias para o presidente dos EUA. 

“Os iranianos usaram uma arma que o presidente Trump não imaginava, que foi o estrangulamento da economia mundial pelo Estreito de Ormuz. E isso obviamente impactou o planeta inteiro e o bolso do americano. Os iranianos viram que, ao ferir o bolso dos americanos, feriram o presidente Trump de uma forma mais eficiente do que qualquer míssil.” 

Na prática, o líder americano não alcançou seus principais objetivos, na avaliação do economista. “Alguns objetivos americanos foram atingidos, os principais, não. Isso vai ficar muito marcado na questão desta presidência de Trump.”

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