Os principais líderes da maior organizada do Corinthians foram ao CT Joaquim Grava na manhã desta quinta-feira para cobrar jogadores, comissão técnica e diretoria pela derrota por 3 a 1 para o Fluminense, no Maracanã, pela péssima campanha no Campeonato Brasileiro e também pela sequência de oito jogos sem vitória. A chegada foi sem aviso. Direto do Rio de Janeiro para o CT. E os seguranças do Corinthians não estavam preparados para receber os torcedores.
Depois de muita conversa, ficou acertado que os líderes da organizada falariam primeiro com o presidente Osmar Stábile, o executivo Marcelo Paz e com o técnico Dorival Júnior. E essa conversa realmente aconteceu.
Só a conversa com Dorival Junior durou mais de uma hora.
Osmar repetiu, em linhas gerais, o que já vem dizendo publicamente: que o Corinthians não tem dinheiro para contratar, que o clube está quebrado e que, por isso, o elenco está muito longe do ideal.
Dorival Júnior foi pela mesma linha. Disse que o Corinthians tem carências claras, principalmente no ataque, falou das lesões, da falta de reforços e admitiu, na prática, que está tentando encontrar soluções com um elenco abaixo do que gostaria. Foi a repetição de um discurso que já vinha sendo dado, mas desta vez olho no olho com a torcida.
Depois dessa primeira etapa, a orientação foi para que alguns líderes do elenco conversassem com os torcedores. Havia um detalhe importante ali: os jogadores ainda estavam dormindo no hotel que fica dentro do próprio CT. Depois da derrota para o Fluminense, a delegação foi direto do Rio de Janeiro para o Joaquim Grava, passou a noite no local e, depois do treino da manhã, cada um seguiria para casa.
Mas os torcedores não aceitaram falar apenas com alguns atletas. Quiseram conversar com todos. A informação que eu tenho é que os jogadores foram acordando e se deparando com uma cena bem incomum: torcedores uniformizados já dentro do CT, circulando no ambiente de trabalho deles. Alguns estranharam bastante. Não é uma imagem normal, nem para um clube acostumado com pressão.
Os atletas foram saindo do hotel e indo para o campo para o treinamento da manhã. E os torcedores ficaram apenas esperando o treino acabar para a conversa acontecer. Se os jogadores imaginavam que iriam embora por volta das 11 horas, não foi isso que aconteceu. Eles só deixaram o CT perto de 1h30 da tarde, porque durante cerca de uma hora e meia os torcedores exigiram conversar com todo o elenco no centro do gramado.
A cobrança foi pelo fraco futebol apresentado pelo time dentro de campo e pela sequência ruim que o Corinthians vem acumulando. Não houve foco especial em nenhum jogador. Nem mesmo Allan, que havia sido expulso de forma infantil na partida contra o Fluminense depois de fazer um gesto obsceno. Ninguém foi separado como símbolo da crise. A cobrança foi geral. Sem exceção. Dos mais experientes aos mais jovens. Inclusive os garotos da base, que também estavam ali ouvindo a cobrança pesada dos torcedores.
A conversa foi pacífica. Não houve confusão. Depois disso, os líderes da organizada deixaram o CT por volta de 1h30 da tarde, e só então os jogadores puderam pegar seus carros e ir para casa. Mas o principal bastidor da manhã foi outro. E talvez o mais surpreendente.
Dorival Júnior era esperado para ser um dos principais alvos da cobrança. Talvez até o principal. Só que, depois de explicar mais uma vez por que o time vem sendo montado sem atacantes, por causa da falta de reforços e da situação financeira do clube, o treinador acabou sendo compreendido pelos torcedores. Por incrível que pareça, de alvo inicial, Dorival passou a ser visto como um dos menos culpados pela situação.
Isso não quer dizer que ele esteja seguro no cargo. Não está. Também não quer dizer que ele não possa cair nos próximos dias. Pode. Mas o que a manhã desta quinta-feira mostrou, no bastidor, foi que a organizada entendeu uma coisa: o elenco do Corinthians é fraco, tem limitações claras e hoje é difícil imaginar qualquer treinador fazendo esse time jogar bem. Por isso, a bronca maior acabou ficando mesmo para os jogadores, que entram em campo no domingo, contra o Internacional, na Neo Química Arena, ainda mais pressionados do que já estavam.