Caminhoneiros articulam greve nacional após alta do diesel anular alívio do governo

Mobilização envolve 790 mil autônomos e 750 mil celetistas insatisfeitos com reajuste de R$ 0,38 da Petrobras

Por Redação TMC | Atualizado em
Caminhoneiros podem entrar em greve novamente. (Foto: Unsplash)

O governo federal monitora a articulação de uma nova paralisação nacional de caminhoneiros. A mobilização é motivada pela escalada no preço do diesel e pela insatisfação com as medidas adotadas para conter o impacto do combustível. Lideranças do setor afirmam que já existe decisão favorável à greve, embora ainda não haja data definida para o início do movimento.

A articulação envolve tanto motoristas autônomos quanto profissionais contratados por empresas de transporte. A mobilização ganhou força após a sequência de eventos envolvendo o pacote de alívio governamental e o reajuste da Petrobras.

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A União zerou a cobrança de PIS/Cofins sobre o diesel no dia 12 de março. O governo estabeleceu uma subvenção capaz de reduzir o preço em até R$ 0,64 por litro em determinadas situações. A medida foi apresentada como forma de aliviar o bolso dos transportadores.

A Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,38 por litro no diesel A no dia 13 de março. A estatal justificou o aumento pela pressão da alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Para os caminhoneiros, o reajuste anulou qualquer efeito prático das medidas anunciadas pelo governo federal no dia anterior.

A categoria reivindica o cumprimento da tabela de frete mínimo, estabelecida pela Lei 13.703 de 2018. Segundo os caminhoneiros, a ausência de fiscalização efetiva permite que transportadores operem abaixo do piso estabelecido. A falta de controle sobre o cumprimento da legislação é apontada como um dos principais problemas enfrentados pelo setor.

As demandas incluem ainda isenção de pedágio para viagens sem carga e maior previsibilidade nos custos operacionais. Os caminhoneiros consideram essas medidas essenciais para a sustentabilidade da atividade.

O avanço da mobilização já preocupa o governo federal. Integrantes da Casa Civil entraram em contato com representantes da categoria para discutir possíveis soluções. As conversas não resultaram até o momento em compromissos concretos que possam desarticular o movimento.

O governo avalia intensificar a fiscalização sobre postos e distribuidoras. Existem indícios de que reduções de custo não estão sendo repassadas ao consumidor final. A medida busca garantir que os benefícios das desonerações tributárias cheguem efetivamente aos caminhoneiros.

Governadores rejeitaram o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para cortar o ICMS sobre o diesel. Os gestores estaduais argumentam que já acumulam perdas bilionárias com cortes anteriores de impostos. Novas reduções comprometeriam as finanças estaduais, segundo os governadores.

O impasse federativo limita o alcance das medidas federais. A resistência dos governadores em colaborar com a redução tributária amplia o risco de uma paralisação em escala nacional. Sem a adesão dos estados, o governo federal enfrenta dificuldades para oferecer alívio significativo aos caminhoneiros.

Estimativas do setor indicam que o país conta com cerca de 790 mil caminhoneiros autônomos. Outros 750 mil motoristas celetistas também atuam no transporte de cargas. Um movimento coordenado pode ter impacto relevante sobre a logística e a atividade econômica do país.

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