O Corinthians perdeu por 3 a 1 para o Fluminense no Maracanã e, dessa vez, não dá pra fingir que foi só atuação ruim dos jogadores. Foi mais do que isso. Foi escolha. Foi decisão. E foi erro claro de quem estava no banco.
Dorival Júnior teve 10 dias para treinar a equipe. Tempo raro no futebol brasileiro. E o que ele fez? Mudou completamente o time. Saiu de um meio com quatro jogadores para cinco, abriu mão de um segundo atacante e resolveu mexer na estrutura inteira por causa de uma ausência.
Na coletiva, o próprio Dorival explicou: a fala do Raniele, que estava suspenso, influenciou na decisão de colocar Charles ao lado do Alan na marcação. Ou seja, por causa de um jogador fora, ele mexeu em todo o sistema da equipe. Não é ajuste. É reconstrução.
Era para o Corinthians ter entrado com o básico: um volante de marcação, dois volantes, um meia e dois atacantes. Era o esperado. Era o lógico. Era o seguro. Mas ele resolveu inventar. Se tivesse feito o básico, Dorival poderia ter colocado a culpa da derrota no erro do Bidon e do Gabriel Paulista, na expulsão do Allan, no juiz, na bola, na grama, na Lua, em quem fosse. Mas ele inventou. E quando você inventa e dá errado, não tem muito para onde correr: a responsabilidade bate primeiro no treinador.
Claro que os jogadores têm culpa. Sempre têm. Mas ontem o maior responsável foi Dorival. Pela escolha, pelo risco e pela forma como o time se comportou em campo.
Se Dorival não cair agora, três fatores são bem claros: a multa alta, na casa dos 8 milhões de reais; a falta de opções fortes no mercado; e a situação política do clube, que faz o presidente Osmar Stabile ouvir meio mundo antes de tomar qualquer decisão.
Só que o cenário é pesado. O Corinthians chegou a oito jogos sem vencer, algo que não acontecia há 13 anos, desde 2013. Não é detalhe. É sinal claro de que o time não está respondendo.
Domingo tem Internacional na Neo Química Arena. Em casa. Com a torcida pressionando. Se não vencer, aí a situação muda de nível. E aí vai ficar bem difícil segurar Dorival no cargo.