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Ex-prefeito de Lajeado (RS), Marcelo Caumo é preso pela PF em operação sobre desvios de recursos

Polícia Federal cumpriu 20 mandados de busca em 8 cidades gaúchas e investiga desvio de verbas federais destinadas à recuperação de danos das enchentes no RS

Por Redação TMC | Atualizado em
Câmera Fotográfica (Foto: Divulgação/Polícia Federal)

A Polícia Federal prendeu Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado, na manhã desta quinta-feira (26/02). A prisão ocorreu durante a segunda fase da Operação Lamaçal, que apura desvio de recursos federais destinados à recuperação de danos causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Caumo governou o município entre 2017 e 2024.

A operação cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária em oito cidades gaúchas: Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre. As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

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Além de Caumo, uma empresária vinculada ao grupo empresarial investigado foi presa. Uma vereadora foi afastada de suas funções. Os nomes da empresária e da vereadora não foram divulgados pela Polícia Federal.

A Polícia Federal apreendeu R$ 400 mil em dinheiro durante a operação. A ação também determinou sequestro de veículos e bloqueio de ativos.

A investigação apura suposto desvio de recursos federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) repassados ao município. Os valores foram destinados à recuperação dos estragos causados pelas enchentes que atingiram o estado.

“As investigações identificaram irregularidades em três licitações da Prefeitura de Lajeado envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, contratadas para prestar serviços de assistência social.” Há indícios de que as escolhas não observaram a proposta mais vantajosa e de que os valores pagos estavam acima dos preços de mercado, informou a Polícia Federal.

A operação foi desencadeada após análise do material apreendido na primeira fase da Operação Lamaçal, realizada em novembro de 2025. O material sustenta a hipótese de direcionamento de licitações na administração municipal.

A Polícia Federal verificou irregularidades em licitação realizada pela prefeitura de Lajeado para contratação de empresa destinada a prestar serviços de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista.

Houve dispensa de licitação sob a justificativa do estado de calamidade pública declarado pelo município em 2024. O valor total dos dois contratos inicialmente levantados no curso do inquérito policial soma aproximadamente R$ 120 milhões.

Os contratos investigados foram firmados durante a gestão de Marcelo Caumo. Na primeira fase da Operação Lamaçal, em novembro de 2025, Caumo ocupava o cargo de titular da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano. Ele colocou o cargo à disposição. O pedido de exoneração foi aceito após a repercussão do caso.

A prisão temporária de Marcelo Caumo tem validade de cinco dias. O período pode ser prorrogado.

Os investigados podem responder por desvio ou aplicação indevida de verba pública, contratação direta ilegal, fraude em licitação, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

O advogado Jair Alves Pereira, que representa Marcelo Caumo, informou que ainda não teve acesso à decisão judicial que motivou a prisão do ex-prefeito.

A Prefeitura de Lajeado divulgou nota oficial sobre o caso: “A Prefeitura de Lajeado informa que, na manhã desta quinta-feira (26/02), a Polícia Federal realizou diligências junto a setores do Executivo municipal, no âmbito da segunda fase da Operação Lamaçal.”

“A ação integra investigação relacionada a contratos de prestação de serviços terceirizados firmados em períodos anteriores à atual gestão”, acrescentou o comunicado.

“Desde o início da operação a Administração Municipal vem colaborando com as investigações e prestando todas as informações e fornecendo documentos solicitados, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos”, concluiu a administração municipal.

A investigação não tem relação com a atual gestão municipal. A Operação Lamaçal prossegue em sua segunda fase. A Polícia Federal analisa os documentos e informações coletadas durante as diligências.

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