Irã reduz idade mínima para exército e recruta jovens a partir de 12 anos

Guarda Revolucionária iraniana anuncia mudança que reduz em 3 anos limite anterior de 15 anos para ingresso na organização militar

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters)

A Guarda Revolucionária iraniana reduziu a idade mínima de recrutamento para sua força paramilitar Basij. A mudança foi anunciada por Rahim Nadali, comandante de uma brigada da região de Teerã. Jovens a partir de 12 anos podem agora ingressar na organização, três anos a menos que o limite anterior de 15 anos.

Organizações humanitárias documentaram a presença de menores em postos de controle e patrulhas. A Anistia Internacional e a Human Rights Watch verificaram relatos e fotografias mostrando crianças portando armas pesadas. Um dos casos registrados pela Anistia Internacional descreve um menor com dificuldade respiratória devido ao peso da arma que carregava.

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O recrutamento de crianças para atividades militares configura crime de guerra conforme convenções internacionais.

Morte em posto de controle

Alireza Jafari, de 11 anos, morreu em março de 2026 enquanto atuava em um posto de controle. O pai do menino o havia levado ao local, alegando que não havia soldados em número suficiente. O caso foi registrado pela Anistia Internacional.

Um pôster de recrutamento divulgado junto ao anúncio oficial exibe o que aparenta ser um menor ao lado de um adulto trajando uniforme militar. Nadali afirmou haver interesse de jovens em se alistar.

Funções atribuídas a menores

Bill Van Esveld, diretor da área de direitos da criança na Human Rights Watch (HRW), afirma que os anúncios de recrutamento convocam crianças não apenas para postos militares, mas também para funções como participação em patrulhas e preparação de alimentos.

Van Esveld afirma que crianças recrutadas para funções que podem parecer menos perigosas estariam expostas aos frequentes ataques dos Estados Unidos e de Israel. “Deveriam estar na escola, não ali.”

A Basij, oficialmente denominada “organização para a mobilização dos oprimidos”, funciona como força paramilitar de voluntários vinculada à Guarda Revolucionária. A organização é frequentemente mobilizada para reprimir manifestações populares. Também desempenha função de polícia moral.

O Irã enfrenta ameaças dos Estados Unidos e de Israel, segundo organizações humanitárias. Relatos preliminares dessas organizações indicam que o país recorre a menores para atividades de defesa e segurança.

Em 28 de fevereiro de 2026, um bombardeio atingiu uma escola para garotas no Irã. O ataque matou ao menos 175 pessoas. As investigações apontam os Estados Unidos como autores. A escola estava situada próxima a uma base da Guarda Revolucionária.

Van Esveld afirma que imagens de satélite mostravam claramente que não se tratava de um alvo militar. A instituição possuía até um campo de futebol. Sobre o bombardeio, Van Esveld declarou: “Não basta dizerem agora que foi um erro. Deveriam ter feito tudo o que estava ao seu alcance para evitar.”

Durante a década de 1980, o Irã enviou dezenas de milhares de crianças para a guerra contra o Iraque. Mohammad Hossein Fahmideh morreu aos 13 anos ao se jogar sob um tanque, detonando uma granada.

Relatos mais recentes indicam que Teerã enviou jovens afegãos para defender o regime sírio de Bashar al-Assad.

A extensão do recrutamento de crianças permanece incerta. Van Esveld afirma que blecautes e censura dificultam o trabalho de investigação. Muitas pessoas temem falar sobre o tema por receio de represálias.

O Irã está sujeito a uma série de convenções e protocolos internacionais que proíbem o recrutamento e o uso direto de menores em conflitos armados, segundo a Human Rights Watch.

“A lei internacional é clara. Crianças não podem dar seu consentimento”, afirma Van Esveld. “Aos 12 anos, entendem o risco de morrer ou de perder um membro? É claro que não.”

O fenômeno não é exclusivo do Irã. Organizações internacionais documentam casos semelhantes em países como Mianmar, Sudão do Sul e República Democrática do Congo.

Ataques israelenses mataram mais de 20 mil crianças em Gaza. Os ataques destruíram 92% das escolas do território. No Líbano, os ataques de Tel Aviv forçaram mais de 1 milhão de pessoas a deixar suas casas. Entre os deslocados libaneses, 400 mil são menores de idade.

Van Esveld caracterizou a situação das crianças na região como “sombria”. A disputa com o Irã e seus aliados tem ameaçado crianças em diferentes países.

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