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Joana Treptow
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Âncora de destaque no jornalismo nacional, Joana Treptow, com seu estilo espontâneo, traz uma visão humana e técnica sobre os fatos que moldam o cotidiano. Versátil e dinâmica, sua cobertura abrange desde grandes crises até tendências sociais e culturais.

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O caso Epstein além de Epstein

Primeiras denúncias contra Jeffrey Epstein surgiram no início dos anos 2000 e só agora o caso ganha relevância pública

Por Joana Treptow | Atualizado em
O falecido criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein
Câmera Fotográfica Pessoas associadas ao magnata Jeffrey Epstein podem ser investigados na França (Foto: Reprodução/NBC News)

As primeiras denúncias de que o financista Jeffrey Epstein recrutava meninas menores de idade para “massagens” surgiram no início dos anos 2000.

Em 2008, Epstein assumiu perante a Justiça do estado americano da Flórida que havia aliciado menores para prostituição. Recebeu uma pena branda. Treze anos de prisão, com saídas diárias. Assim, evitou ser acusado pela Justiça federal dos Estados Unidos. Evitou também que o caso fosse aprofundado a ponto de revelar a ilha de tráfico sexual de crianças, adolescentes e mulheres, frequentada por algumas das pessoas mais poderosas do mundo.

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O escândalo só ganha dimensão em 2018, quando a imprensa americana retoma o assunto com profundidade. Reportagens investigativas mostram que o acordo judicial foi costurado para protegê-lo e, possivelmente, para proteger outros nomes. Em 2019, Epstein é preso novamente, agora por tráfico sexual de menores, em uma investigação federal. Pouco depois, morre na prisão, oficialmente por suicídio. Àquela altura, já havia vítimas dispostas a depor.

A complexidade do caso aponta para algo central: Epstein não agia sozinho. Havia quem acobertasse, facilitasse, se beneficiasse. É nessa rede que o foco precisa estar.

Com a morte de Epstein, em 2019, desaparece a principal fonte direta de informação. Não há delação. Não há acordo. Não há colaboração. Ainda assim, as investigações avançam. Surgem novas testemunhas. Novos documentos vêm a público. Novos nomes aparecem. Epstein não será responsabilizado. Mas a rede, ainda pode vir a ser.

Sete anos depois, dezenas de nomes famosos aparecem associados ao caso. Cada vez mais. Há fotos, vídeos, e-mails, prints de conversas, registros de voos – deixando o famoso “batom na cueca” de muitas celebridades. Há, também, documentos que mencionam práticas extremas, violentas, perturbadoras. Material suficiente para comprovar a dimensão da perversidade e da da estrutura que orbitava em torno de todos eles.

É aí que o uso do poder se torna central para entender o que aconteceu – e ainda acontece em tantos outros lugares – e como é possível esconder por tanto tempo. Epstein não agia pela violência e sim por uma lógica de assimetria: de um lado o dinheiro, o prestígio, o clico de amizades poderosas, as supostas oportunidades. Do outro, nada. Quem eram eles e quem eram elas?

Denunciar, nesses contextos, significava enfrentar advogados caríssimos, conexões políticas, instituições prontas para desacreditar as vítimas.

A pergunta que fica é incômoda: quantos Epsteins existem por aí, operando agora, protegidos por redes parecidas? Quantos casos seguem invisíveis não por falta de provas, mas por excesso de poder?

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