Polícia investiga possível falha humana em colisão de helicópteros que matou seis pessoas no Rio

O acidente deixou seis mortos e é considerado uma das maiores tragédias aéreas recentes envolvendo aeronaves de pequeno porte no estado.

Por Jhade Marinho | Atualizado em
(Foto: Corpo de Bombeiros)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga se os pilotos dos dois helicópteros que colidiram no ar na manhã de domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste da capital, seguiram corretamente os planos de voo informados às autoridades. O acidente deixou seis mortos e é considerado uma das maiores tragédias aéreas recentes envolvendo aeronaves de pequeno porte no estado.

Segundo a investigação, os proprietários dos helicópteros já prestaram depoimento e informaram as rotas previstas para cada voo. Uma das aeronaves havia decolado do Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, com destino à região de Guaratiba. A outra partiu do Aeroporto de Jacarepaguá rumo a Angra dos Reis, na Costa Verde.

De acordo com o delegado Alan Luxardo, responsável pelo caso, a responsabilidade humana tem papel central nesse tipo de operação, já que os voos eram realizados sob regras visuais, sem direcionamento constante da torre de controle. A Polícia Civil já obteve imagens que mostram os instantes anteriores e o momento da colisão.

Os investigadores também apuram se houve comunicação entre os pilotos antes do acidente. A análise busca esclarecer se a tragédia foi causada por erro humano, falha mecânica ou uma combinação de fatores. Além dos proprietários das aeronaves, testemunhas que presenciaram a colisão também foram ouvidas.

A polícia confirmou que tanto os pilotos quanto os helicópteros estavam com a documentação regular junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). No entanto, nenhuma das aeronaves possuía autorização para realizar transporte remunerado de passageiros. As autoridades apuram se os voos eram particulares, se as aeronaves haviam sido emprestadas ou se havia algum tipo de operação clandestina.

Uma nova perícia foi realizada nesta segunda-feira (15) no local da queda. Paralelamente, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) conduz a investigação técnica sobre as causas do acidente. O relatório será compartilhado com a Polícia Civil.

Proprietário de uma das aeronaves já foi multado pela Anac

A investigação também identificou que o empresário Oswaldo de Luca Filho, proprietário do helicóptero de matrícula PP-MAC, já havia sido autuado pela Anac.

Segundo decisão publicada pela agência em julho de 2025, ele foi multado em R$ 8 mil por se recusar a apresentar documentos e informações solicitados durante uma fiscalização. Como se tratava da primeira autuação registrada, a Anac aplicou o valor mínimo previsto. A reportagem tenta contato com a defesa do empresário.

Acidente provocou incêndio e interditou a Avenida das Américas

O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h59 de domingo. As aeronaves caíram em um estacionamento de veículos elétricos próximo à Avenida das Américas.

O impacto provocou um incêndio que atingiu pelo menos 20 carros. Cerca de 50 militares e 15 viaturas participaram da operação de combate às chamas e resgate. A ocorrência provocou interdições na principal via da região.

Moradores e trabalhadores do entorno relataram nunca ter presenciado um acidente semelhante. Algumas testemunhas afirmaram ter visto os helicópteros se chocarem ainda no ar antes da queda.

Quem eram as vítimas

Cinco pessoas estavam a bordo do helicóptero PP-MAC: o piloto Alexandre Souza, de 59 anos, o humorista e youtuber argentino Gaspar Prim, conhecido como Gaspi, o produtor musical Lucas Brito Chaves Frota, o diretor de videoclipes argentino Lucas Vignale e o cantor e produtor norte-americano Oliver Tree.

No helicóptero PR-DJJ estava apenas o piloto Charles Marsillac.

Até esta segunda-feira, cinco das seis vítimas haviam sido oficialmente identificadas pelo Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto. O único corpo que ainda aguardava reconhecimento formal era o de Oliver Tree.

O diretor argentino Lucas Vignale foi identificado após exames de DNA realizados com amostras fornecidas pelo pai e pelo irmão. Os trâmites para o translado do corpo à Argentina já foram iniciados, e o velório deverá ocorrer no Cemitério de La Chacarita, em Buenos Aires.

Já o produtor musical Lucas Brito Chaves Frota foi velado nesta segunda-feira no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária do Rio. O artista tinha 26 anos, morava nos Estados Unidos havia quase uma década e ganhou destaque na cena musical eletrônica. Um dos trabalhos mais conhecidos foi a gravação de um DJ set no Cristo Redentor, em dezembro do ano passado.

Lucas era filho da advogada Cristiane de Medeiros Frota e do empresário Antonio Frota, além de enteado do desembargador e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Elton Martinez Leme. Em nota, a Associação dos Magistrados do Estado do Rio lamentou a morte.

Familiares do produtor afirmam que pretendem acompanhar de perto as investigações. Um dos tios da vítima declarou que recebeu informações de que uma das aeronaves poderia não estar em condições adequadas para operação, hipótese que ainda não foi confirmada pelas autoridades.

Equipe de Oliver Tree iria gravar clipe em Angra

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, um dos helicópteros seguia para Angra dos Reis, onde a equipe do cantor norte-americano Oliver Tree realizaria a gravação de um videoclipe.

As informações preliminares apontam que a aeronave não apresentava registros de problemas mecânicos e estava liberada para voo. Ainda assim, todas as condições operacionais serão analisadas pelas investigações da Polícia Civil, do Cenipa e da Anac.

Em nota, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil informou que presta assistência às famílias das vítimas e manifestou condolências aos parentes e amigos dos envolvidos.

Até o momento, não há conclusão oficial sobre as causas da colisão. A principal linha de investigação busca determinar se houve falha humana, problema técnico ou descumprimento de procedimentos de voo que possam ter contribuído para a tragédia.

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