Acesse o menu do site

Autora de “O Peso do Pássaro Morto”, Aline Bei revela luto criativo e bastidores da escrita

“Se você tem vergonha do que você escreveu, ele deve estar muito vivo. A escrita é feita dessas vergonhas, desses lugares mais perigosos”, afirma a escritora durante entrevista com Joana Treptow

Por Redação TMC | Atualizado em
Em entrevista a Joana Treptow, a aclamada escritora contemporânea, Aline Bei, fala sobre seu processo de escrita, prosa poética e estilo único (Crédito: TMC)
Câmera Fotográfica Em entrevista a Joana Treptow, a aclamada escritora contemporânea, Aline Bei, fala sobre seu processo de escrita, prosa poética e estilo único (Crédito: TMC)

A escritora Aline Bei é a convidada do mais recente episódio do “Imprevista”, comandado pela jornalista Joana Treptow, na TMC. Em uma conversa profunda e livre de roteiros engessados, a autora de sucessos como O Peso do Pássaro Morto e Pequena Coreografia do Adeus falou sobre a transição do teatro para a literatura, os desafios práticos e emocionais do processo criativo e o impacto das vivências femininas na construção de suas narrativas.

Siga a TMC no WhatsApp e fique por dentro das últimas notícias do Brasil e no mundo

A escritora revelou que a literatura surgiu em sua vida em um momento de turbulência, após uma dolorosa ruptura com o sonho de ser atriz de teatro. Pressionada pela necessidade prática de se sustentar e aconselhada pela família a buscar uma base profissional, ela encontrou na escrita um espaço de libertação autônoma.

“O teatro precisa muito do coletivo, ele é um gesto exterior. A escrita você consegue fazer com uma autonomia muito grande. Então era pegar um caderno, começar a escrever e aquilo já me libertava”, explicou a autora.

Questionada por Treptow sobre o que uma mulher precisa para escrever ficção, em uma alusão ao clássico Um Teto Todo Seu, de Virginia Woolf, Aline defendeu a importância do fortalecimento coletivo e de “performar a escritora” para combater a constante comparação com obras consagradas.

A conversa traçou reflexões sobre como o ambiente molda a criação, conectando as limitações apontadas por Woolf à realidade periférica citada pela cantora Anitta em entrevistas recentes, provando que a arte é sempre um reflexo do território que a mulher ocupa.

Desmistificando a figura do gênio literário, Aline confessou que não cresceu em uma família com o hábito da leitura e que seu encantamento pelos livros nasceu do contato com a biblioteca da escola. Hoje, sendo uma das vozes mais potentes da literatura contemporânea brasileira, ela rejeita o conceito mercadológico de “sucesso” e foca na conexão íntima com seus leitores.

Para os aspirantes a escritores, a autora deixou conselhos práticos: recomendou a participação em oficinas de escrita, defendeu o uso de cadernos e o registro a lápis, e fez um alerta curioso sobre o processo de criação.

“Se você tem vergonha do que você escreveu, ele deve estar muito vivo. A escrita é feita dessas vergonhas, desses lugares mais perigosos”, pontuou, ressaltando que textos engavetados nunca devem ser rasgados, pois podem florescer no futuro.

O episódio, que também celebra os próximos passos da carreira da autora com o lançamento de Uma Delicada Coleção de Ausências na Itália, já está disponível na íntegra no canal do YouTube da TMC e nas principais plataformas de áudio.

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 07.577.172/0001-71