A escritora Aline Bei é a convidada do mais recente episódio do “Imprevista”, comandado pela jornalista Joana Treptow, na TMC. Em uma conversa profunda e livre de roteiros engessados, a autora de sucessos como O Peso do Pássaro Morto e Pequena Coreografia do Adeus falou sobre a transição do teatro para a literatura, os desafios práticos e emocionais do processo criativo e o impacto das vivências femininas na construção de suas narrativas.
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A escritora revelou que a literatura surgiu em sua vida em um momento de turbulência, após uma dolorosa ruptura com o sonho de ser atriz de teatro. Pressionada pela necessidade prática de se sustentar e aconselhada pela família a buscar uma base profissional, ela encontrou na escrita um espaço de libertação autônoma.
“O teatro precisa muito do coletivo, ele é um gesto exterior. A escrita você consegue fazer com uma autonomia muito grande. Então era pegar um caderno, começar a escrever e aquilo já me libertava”, explicou a autora.
Questionada por Treptow sobre o que uma mulher precisa para escrever ficção, em uma alusão ao clássico Um Teto Todo Seu, de Virginia Woolf, Aline defendeu a importância do fortalecimento coletivo e de “performar a escritora” para combater a constante comparação com obras consagradas.
A conversa traçou reflexões sobre como o ambiente molda a criação, conectando as limitações apontadas por Woolf à realidade periférica citada pela cantora Anitta em entrevistas recentes, provando que a arte é sempre um reflexo do território que a mulher ocupa.
Desmistificando a figura do gênio literário, Aline confessou que não cresceu em uma família com o hábito da leitura e que seu encantamento pelos livros nasceu do contato com a biblioteca da escola. Hoje, sendo uma das vozes mais potentes da literatura contemporânea brasileira, ela rejeita o conceito mercadológico de “sucesso” e foca na conexão íntima com seus leitores.
Para os aspirantes a escritores, a autora deixou conselhos práticos: recomendou a participação em oficinas de escrita, defendeu o uso de cadernos e o registro a lápis, e fez um alerta curioso sobre o processo de criação.
“Se você tem vergonha do que você escreveu, ele deve estar muito vivo. A escrita é feita dessas vergonhas, desses lugares mais perigosos”, pontuou, ressaltando que textos engavetados nunca devem ser rasgados, pois podem florescer no futuro.
O episódio, que também celebra os próximos passos da carreira da autora com o lançamento de Uma Delicada Coleção de Ausências na Itália, já está disponível na íntegra no canal do YouTube da TMC e nas principais plataformas de áudio.




