Na edição deste fim de semana do programa “A Cidade é Sua” de São Paulo, a TMC entrevista o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, e o prefeito de Santos, Rogério Santos sobre a construção do túnel Santos-Guarujá.
Considerada a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o projeto conta com um investimento de R$ 7 bilhões e coloca fim a uma espera que já dura mais de um século pela obra.
Acesse o canal da TMC no WhatApp para ficar sempre informado das últimas notícias
A viabilização do empreendimento terá investimento dos governos Federal e Estadual, com cada um aportando 50% dos recursos. “É um grande acordo das instituições da República para que efetivamente a gente tire do papel um projeto de 100 anos”, destacou Pomini durante a entrevista.
Essa conciliação, no entanto, envolveu muita conversa e questões políticas, segundo o prefeito de Santos Rogério Santos: “Essa é uma questão que envolve muitas questões políticas, porque a gente está falando do canal, do maior porto da América Latina, cuja gestão é feita pelo Governo Federal. Mas a gente fala também de um transporte metropolitano, de uma ligação de duas cidades, envolvendo então o governo do Estado”.
Atualmente, o transporte de cargas entre as margens do Porto de Santos exige que caminhões percorram até 45 km, um trajeto que pode levar horas. Com o túnel imerso, tecnologia inovadora já utilizada na Europa e Ásia, a travessia de 860 metros será feita em cerca de 5 minutos.
“Estamos falando de pessoas que estão atravessando não apenas por questões de lazer e turismo, mas também para trabalhar, para estudar, para utilizar serviços, serviços de saúde. Vai ser um grande avanço para a região”, afirmou o prefeito de Santos.
Segundo o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, além da agilidade, o túnel vai também reduzir a poluição, melhorar a mobilidade urbana e contribuir para a construção de casas.
Isso por que o projeto prevê a remoção de palafitas nas áreas de desembocadura do túnel e a construção de casas para as famílias que hoje vivem em condições precárias. “O túnel vai entregar casa para essas pessoas com o recurso do porto. Então a gente traz também um pouco de equilíbrio social”, afirmou.
Além disso, a ligação é estratégica para que o Porto de Santos, responsável por 30% da corrente comercial brasileira, possa dobrar sua capacidade nos próximos 20 anos, expandindo operações para a margem esquerda.
Apesar do otimismo, Pomini reconhece os desafios logísticos durante a construção, como a necessidade de interdições pontuais no canal: “em algum momento a gente vai ter que interditar a entrada e saída de navios e paralisar a linha férrea, onde circulam os caminhões. E o custo de uma paralisação é muito grande para a logística nacional e internacional. Por isso que a gente vem debatendo qual é o melhor momento. Então tem que ter muito cálculo para errarmos o menos possível”, explicou o presidente da Autoridade Portuária de Santos.
