Nascido em Napoli na Itália e com seis maratonas no currículo, Felipe Schmidt, o Schima, participou do programa Corre TMC, apresentado por Mirelle Moschella e André Galvão.
Filho de Oscar Schmidt, o maior jogador de basquete da história do Brasil, Felipe contou por que não seguiu os passos do pai e os motivos de ter largado o esporte da bola laranja.
“Eu parei (com o basquete) na faculdade. Optei por não ir para uma faculdade menor, acho que foi o meu erro no basquete. Se eu tivesse ido para uma faculdade menor, teria jogado mais, teria continuado a minha carreira. Só que eu queria muito ir para essa faculdade, a Florida State University. Lá eu fui como um walk on, quando você está no time, sem bolsa, mas tem a oportunidade de conseguir um espaço no time. Eu fui vendo que estava ficando difícil, estava sme meus pais para me pressionarem, me incentivarem. 18 anos, sozinho, na faculdade, comecei a perder o gosto, o foco e desisti”, disse, revelando também que se arrependeu por um tempo da decisão tomada.
“Me arrependi por um bom tempo. Eu tive talento, era bom. Fui melhor jogador das finais, campeão no colégio, era ranqueado na Flórida. Só que aí comecei a perder o gosto, não sei se comecei a me desgastar muito cedo por conta do basquete fazer parte da minha vida desde que eu nasci.”
Felipe contou que treinou com o pai apenas uma vez e se assustou com a intensidade de Oscar.
“Só teve uma vez, e nunca mais teve, que eu falei, ‘pai, vamos lá treinar’, para nunca mais. Fiquei umas duas ou três horas depois do meu treino, do time, treinando com ele. Ele tinha uma regra que ele só podia sair do ginásio depois que ele fizesse 20 bolas de três (pontos) seguidas. Eu não consegui. Eu bati várias vezes 17, 18 e errava, daí ia de novo. Fora o que a gente já estava fazendo antes, isso era o final. Eu comecei a me irritar, a gente começou a brigar e ele falou: ‘é assim que você vai melhorar, se não ficar assim você não vai evoluir’. E ele estava certo.”
Sobre seu início na corrida, Felipe contou que começou durante a pandemia, com a ajuda de um amigo, e logo pegou gosto pelo esporte.
“Desde a minha volta para cá, até a pandemia, me larguei um pouco, comecei a engordar, treinava mas não era aquele treino… era só para fingir, meia boca. Na pandemia não tinha o que fazer e eu e um amigo meu, o Tadeu, tínhamos o projeto de correr a maratona de São Paulo, mas veio a pandemia, cancelou tudo, não tinha o que fazer. Eu estava treinando na rua, mas estava difícil, começa com os 5km, aí 10, 15, aí saía para correr o máximo que podia e não dava os 21km. Mas eu peguei muito gosto. Era um tempo ali comigo”.
A primeira maratona de Felipe foi “extraoficial”. O maratonista contou que, depois do cancelamento do evento de São Paulo, criou seu próprio percurso e enfrentou seus primeiros 42km para valer, mesmo sem preparação necessária.
“Aí cancelaram a corrida. Eu estava já tentando volume. Eu fazia vários treinos muito loucos, de ir de Alphaville até o Outlet Catarina. Treinos medievais. E meu amigo teve a grande ideia de falar: ‘vamos fazer a nossa maratona, a gente vai de Itapevi até o Ibirapuera’. 42km. Cruzamos Barueri, Santana de Parnaíba, Osasco e não chegava nunca. Corri na Marginal com trânsito, coisa que eu nunca mais vou fazer. Uma loucura o que a gente fez. Foram dois amigos de bike de escolta, com Gatorade, nem gel eu tomava direito”, disse Felipe, que revelou que “quebrou” ao final do percurso.
“Foi minha primeira maratona não oficial. Ali eu vi o quanto era difícil e o quanto precisava de preparo. Eu ‘quebrei’, né? Quando eu cheguei no Ibirapuera deu 38km, na minha cabeça eu pensei: ‘cheguei’, mas não, tinha que dar uma volta no Ibirapuera e ali eu quebrei.”
