Joana Treptow
Joana Treptow Mais sobre o autor

Âncora de destaque no jornalismo nacional, Joana Treptow, com seu estilo espontâneo, traz uma visão humana e técnica sobre os fatos que moldam o cotidiano. Versátil e dinâmica, sua cobertura abrange desde grandes crises até tendências sociais e culturais.

Últimas colunas Últimas colunas de Joana Treptow

2026 já começou – mas sem propostas claras

PT e PSD: potências partidárias, propostas para 2026 nem tão potentes assim

Por Joana Treptow | Atualizado em
EDINHO E KASSAB
(Foto: Marcelo Camargo e Antonio Cruz/Agência Brasil)

Edinho Silva e Gilberto Kassab, duas das maiores forças partidárias do país lado a lado para falar de eleição. Para o público, a sensação, já nos primeiros minutos, era clara: ninguém ali estava disposto a sair do script.

Do lado do PT, poucas propostas e muita vontade de marcar posição. O PSD tentou mostrar que faz política de forma diferente, que o brasileiro merece “o novo” — mas sem grande ânimo.

Na mediação da conversa, tentei tirar informações relevantes, mas o discurso de campanha estava pronto. Edinho não respondeu por que o PT apresenta propostas como se não estivesse no poder. Se tem tanta proposta, por que não foram colocadas em prática neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva?

Kassab não respondeu por que preferiu Ronaldo Caiado a Eduardo Leite. Se a proposta é construir uma terceira via, por que apostar em um pré-candidato que disputa o mesmo eleitorado de Eduardo Bolsonaro – um voto já cristalizado, moldado muito mais pela identificação com o pai do que pela abertura a alternativas?

O fim da escala 6×1 dominou boa parte da conversa. É uma preocupação do setor produtivo – e, ao mesmo tempo, uma demanda popular: 71% dos brasileiros apoiam a mudança. Edinho defendeu a urgência. Disse que o governo deve enviar um projeto próprio e que “é a regulamentação que vai mobilizar a sociedade”.

Na prática, a aposta é acelerar agora e discutir depois. Kassab foi na direção oposta. Pediu “cuidado”. Disse ter “muito medo de uma discussão rápida” e alertou para o risco de decisões tomadas em poucos meses, sob influência direta do calendário eleitoral.

Sobre reformas políticas, Edinho Silva disse que “o sistema eleitoral está falido” e que o país precisa discutir reformas no Judiciário. Nesse contexto, defendeu a revisão das regras da delação premiada – ainda que o momento escolhido por Alexandre de Moraes para tirar da gaveta a ação do PT sobre o tema soe, no mínimo, inoportuno. “A delação é um instrumento jurídico e tem que ser utilizado, mas você não pode prender alguém para que essa pessoa delate”, disse. A fala tenta estabelecer um limite – mas esbarra no fato de que a discussão surge justamente quando o instrumento volta ao centro de investigações sensíveis. E, na política, timing diz muito.

O assunto apareceu dentro de um tema maior: corrupção. Um ponto de preocupação constante do brasileiro – e que, segundo Kassab, exige uma reforma do Judiciário. O presidente do PSD fez questão de se colocar como democrata e disse que não defende o enfraquecimento de instituições. Mas, ao falar do caso Banco Master, ficou em terreno seguro. Não avançou e nem se comprometeu. Um traço conhecido do “mago da política”: evitar zonas de atrito.

Fora do palco, aliás, foi mais direto. Reafirmou que o PSD está fechado com Tarcísio de Freitas e descartou qualquer aliança com Fernando Haddad. Também deixou claro que, neste momento, o partido não constrói alianças nacionais – define posição.

No palco, o momento mais direto veio quando insisti nas propostas para um eventual quarto mandato de Lula. “Por que falar de promessas se essas medidas já podiam ter sido feitas agora, com o PT no poder?”. Edinho respondeu com um longo retrospecto da trajetória de Lula, citando programas sociais ao longo de mais de duas décadas. Mas não respondeu à pergunta. E a ausência de resposta também é uma resposta.

A conclusão da conversa de ontem é simples: falta disposição para sair do discurso pronto. Isso tem um custo, mas a conta é desleal porque quem paga é o brasileiro – que hoje está cercado de dúvidas – e de dívidas. O brasileiro que vive pressionado por um sistema que não tem entregado aquilo pelo qual é cobrado. E o que se espera de quem quer governar o país não é um resgate da memória de governos passados, nem fugir do presente . Precisamos de clareza sobre o que acontece e o que pode acontecer.

Os políticos ainda falam para eles, sobre eles. Mas o eleitor quer outra coisa. E não é pedir muito. O eleitor quer saber o básico: o que vai mudar na vida dele – e quando. Neste ano, deve vencer a eleição quem conseguir oferecer mais e melhores respostas. 

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05