A democracia adora criar mitos sobre si mesma. Um dos principais é a ideia de que pessoas mais escolarizadas votam melhor. Mas ninguém sabe exatamente o que significa “votar melhor”. Na prática, votar certo quase sempre significa votar como eu voto.
Outra ilusão é acreditar que o debate político produz consciência crítica. Normalmente, as pessoas discutem política não para refletir, mas para destruir a opinião do outro e reafirmar a própria posição.
As redes sociais apenas aprofundaram esse comportamento.
Hoje, posições políticas funcionam como totens emocionais. O eleitor não quer mudar de ideia. Quer confirmar aquilo em que já acredita. E isso vale tanto para quem estudou muito quanto para quem estudou pouco.
Também é fantasia imaginar que a maioria pesquisa profundamente antes de votar. Em geral, escolhe-se rapidamente aquele de quem se gosta mais, ou aquele de quem se desgosta menos. O voto nasce muito mais da identificação emocional do que de uma análise racional.
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A democracia continua importante. Mas talvez fosse mais honesto abandonar certas lendas sobre o comportamento humano dentro dela. O eleitor não é um ser puramente racional. Nunca foi.
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