Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, negou nesta quarta-feira (18/03) qualquer acordo com Valdemar Costa Neto, presidente do PL, envolvendo vetos ao projeto da dosimetria e a CPMI do Banco Master. O senador classificou Costa Neto como “mitômano” ao rebater declarações feitas pelo dirigente partidário em programa de televisão no início de março.
Costa Neto afirmou ter recebido proposta vinculando a votação do veto presidencial à dosimetria com a não instalação da comissão de inquérito sobre o Banco Master. O presidente do PL disse ter conversado sobre o tema com o senador Rogério Marinho.
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“Fiquei estarrecido com as declarações do presidente do PL. Pessoas que se acham no direito de inventar coisas. O nome daquilo é mitômano. Eu nunca, nunca tratei com Valdemar [Costa Neto] em relação a este assunto da sessão do Congresso, vetos à dosimetria e Banco Master. Ainda não temos data para sessão do Congresso”, declarou Davi Alcolumbre.
Declarações de Costa Neto sobre suposto acordo
Em entrevista concedida no início deste mês, Valdemar Costa Neto relatou ter recebido proposta de acordo político. “Eu tive uma proposta essa semana, mas eu não tenho como fazer. Eu falei com o [senador] Rogério Marinho: eles querem votar a dosimetria desde que não façam a CPI do Banco Master no Senado”, afirmou o presidente do PL.
As declarações ganharam repercussão nas redes sociais apenas nos últimos dias. A entrevista foi realizada no início de março de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente em janeiro de 2026 o projeto de lei que reduziria penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados por atos golpistas. O veto incluiu condenados pelos episódios de vandalismo de 8 de janeiro de 2023.
Para derrubar o veto presidencial, o Congresso Nacional precisa reunir 257 votos de deputados e 41 votos de senadores. Não há data definida para a sessão que analisará o veto.
Bastidores políticos envolvendo a CPMI
Nos bastidores, Alcolumbre e Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, são contrários a uma eventual CPI do Master. O presidente do Senado tem reforçado a aliados posição contrária a uma CPMI com o argumento de que o colegiado serviria apenas como palanque eleitoral para parlamentares.
Alcolumbre avalia de forma negativa a condução do presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que vazou informações pessoais de Daniel Vorcaro. O banqueiro é proprietário do Banco Master.
Em conversas de Vorcaro com a ex-companheira, Marthar Graeff, e com o filho, Tiziano Vorcaro, o banqueiro mencionou Motta como “amigo”. Vorcaro comentou ida sem avisar à residência oficial do Senado.
Decisões judiciais sobre dados de Vorcaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça proibiu nesta semana o acesso ao material armazenado na sala-cofre da CPMI do INSS. A decisão considerou a necessidade de preservação do sigilo relacionado a Daniel Vorcaro.
Em fevereiro de 2026, Mendonça determinou que o primeiro pedido da CPMI sobre o sigilo telemático de Vorcaro deveria ser recolhido e analisado pela Polícia Federal antes de ser disponibilizado à comissão. Alcolumbre teria alertado o gabinete do ministro de que poderiam ocorrer vazamentos quando Mendonça ordenou o envio dos arquivos para a CPMI.
Os arquivos estavam sob tutela da presidência do Senado por determinação de Dias Toffoli, antigo relator do caso Master no Supremo. O vazamento ocorreu dias depois da decisão de Mendonça.
A Polícia Federal disponibilizou menos de 1% dos dados recolhidos relacionados ao caso do Banco Master após determinação judicial. A CPMI obteve parecer da advocacia do Senado autorizando novo pedido de informações à Apple, empresa que havia enviado as informações anteriormente.
Prorrogação da CPMI do INSS
A cúpula da CPMI do INSS protocolou na última sexta-feira (14/03) um mandado de segurança solicitando a prorrogação dos trabalhos da comissão. O ministro André Mendonça é o relator deste mandado de segurança.
Os trabalhos da comissão têm encerramento previsto para o próximo dia 28. Nos bastidores, o presidente do Senado tem afirmado que, se depender dele, a CPMI do INSS não será prorrogada. Alcolumbre disse que aceitará uma eventual decisão do ministro André Mendonça pela extensão.
PF identifica reinserção de dados de Vorcaro em sistemas da CPMI
A Polícia Federal constatou que a CPMI do INSS reintroduziu em seus sistemas informações do celular de Daniel Vorcaro previamente excluídas pela corporação. A descoberta ocorreu nesta quarta-feira (18/03) enquanto agentes cumpriam determinação do ministro André Mendonça para retirar dados sensíveis de Vorcaro armazenados na sala-cofre da comissão.
A corporação divulgou nota informando sobre a descoberta. “Durante a ação, foi constatada a reintrodução, no ambiente do Senado Federal, de dados anteriormente excluídos pela Polícia Federal. A medida decorreu de solicitação direta da Presidência da CPMI à empresa Apple”, afirmou a PF em nota.
A reinserção dos dados ocorreu após a Presidência da CPMI solicitar diretamente à empresa Apple o envio das informações. A comissão obteve parecer da advocacia do Senado que autorizou a realização de novo pedido à companhia.
A solicitação foi feita depois que a Polícia Federal disponibilizou à CPMI menos de 1% do total de dados que foram recolhidos. A reintrodução aconteceu dias após decisão de Mendonça que proibiu o acesso ao material.




