Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro usaram as redes sociais para ironizar o rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro. A agremiação havia homenageado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu samba-enredo deste ano.
A escola terminou a apuração em último lugar no Grupo Especial, com 264,6 pontos, e retornará à Série Ouro em 2027. O enredo, intitulado “Do alto do mungulu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, apresentou a trajetória política do petista, da infância no Nordeste à chegada ao Palácio do Planalto.
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Reações de aliados de Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro publicou que “dos projetos de Deus não se zomba” e afirmou que “Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o país, seja para um samba-enredo”. Ele ainda declarou que, após o rebaixamento da escola, “o próximo rebaixamento vai ser do Lula e do PT”.
O deputado federal Paulo Bilynskyj associou o resultado ao que chamou de “propaganda política irregular” e disse que Lula seria o “verdadeiro camisa 10” do episódio. Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ironizou ao afirmar que “a primeira derrota do PT em 2026 já veio”.
O deputado Nikolas Ferreira declarou que o rebaixamento demonstraria como o presidente estaria “afundando o Brasil”. Na mesma linha, o deputado Carlos Jordy escreveu que “Lula foi rebaixado”, atribuindo à escola “a pior nota da história”.
Também nas redes, o deputado Gustavo Gayer comparou o resultado da agremiação ao cenário eleitoral de 2026 e questionou, em tom provocativo, se algum ministro do STF “vai questionar o resultado”.
Contexto do desfile e polêmicas
A Acadêmicos de Niterói foi a primeira a desfilar no domingo (15/2), no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. O presidente Lula acompanhou a apresentação de um camarote.
O enredo abordou episódios como a migração da família para São Paulo, a atuação sindical, a fundação do PT e a eleição à Presidência. A encenação incluiu referências a ex-presidentes e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Antes do desfile, ao menos dez ações judiciais questionaram o conteúdo do enredo, sob o argumento de que poderia configurar propaganda eleitoral antecipada. O Tribunal Superior Eleitoral analisou pedidos para barrar a apresentação, mas negou liminar por unanimidade, entendendo que a proibição poderia caracterizar censura prévia. Os ministros ressaltaram que eventuais condutas poderiam ser avaliadas posteriormente.
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A escola foi multada em R$ 80 mil pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) por falhas na retirada dos carros alegóricos da avenida. O atraso na dispersão afetou as apresentações seguintes e provocou mudanças no cronograma da noite. A penalidade, porém, não implicou perda de pontos na apuração.
