Receita aponta transferências de R$ 40 mi do Master para escritório da esposa de Moraes

Documentos fiscais mostram 11 repasses mensais de R$ 3,6 mi cada ao Barci de Moraes Sociedade de Advogados durante 2024, segundo dados enviados à CPI do Crime Organizado

Por Redação TMC | Atualizado em
Viviane Barci e Alexandre de Moraes
(Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE)

Documentos da Receita Federal apontam que o Banco Master efetuou transferências de R$ 40,11 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados no ano de 2024. Os registros constam em documentos encaminhados à CPI do Crime Organizado do Senado. Viviane Barci de Moraes, sócia do escritório e esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, confirmou a prestação de serviços à instituição financeira de Daniel Vorcaro.

A documentação fiscal do banco, com sigilo quebrado pela comissão parlamentar, registra 11 transferências mensais ao escritório jurídico. Cada repasse teve valor de R$ 3.646.529,72. O Master declarou à Receita Federal a retenção de R$ 2.466.877,38 em impostos na fonte sobre essas operações. As informações foram divulgadas pela Folha de São Paulo.

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O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI, apresentou os dados durante a sessão plenária do Senado nesta terça-feira (7). Ele informou que a Receita Federal havia encaminhado informações incompletas sobre o banco à comissão. A complementação dos dados chegou apenas na segunda-feira (6).

“Mesmo com a quebra de sigilo aprovada pela Comissão Parlamentar de Inquérito e não suspensa pela Justiça, a Receita Federal do Brasil mandou os dados incompletos. Foi preciso solicitar a reiteração, a complementação, para que chegasse o dado bancário que comprova o recebimento e a dedução de impostos pelo escritório da doutora Viviane Barci. Só em um ano, R$ 40 milhões recebidos. Contraprestação de serviço? A própria doutora Viviane já publicizou: nada que justifique esse valor“, declarou Vieira durante a sessão.

O vínculo contratual entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes foi firmado em 2024. O acordo foi interrompido em novembro de 2025. Naquele mês, o Banco Central liquidou a instituição financeira e Daniel Vorcaro foi preso.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, o contrato previa 36 pagamentos mensais de R$ 3,5 milhões. O valor total somaria R$ 129 milhões ao longo de três anos. Apenas 11 pagamentos foram efetivados antes da interrupção do acordo.

O escritório Barci de Moraes declarou no mês passado ter prestado serviços de consultoria e atuação jurídica ao Master. A contratação mobilizou 15 advogados e serviços de outros três escritórios especializados em consultoria.

Entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período de prestação de serviços, o escritório realizou 94 reuniões de trabalho. Dessas, 79 foram presenciais na sede do Master.

O escritório da esposa de Moraes afirmou ter produzido 36 pareceres e opiniões legais sobre compliance, regulação, questões trabalhistas e previdenciárias. A equipe jurídica ajudou a implementar o novo código de ética e conduta do banco. O escritório declarou que nunca conduziu nenhuma causa no âmbito do STF.

O escritório Barci de Moraes, quando procurado, afirmou que “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”. O escritório não informou qual seria o valor correto dos pagamentos.

O ministro Alexandre de Moraes foi procurado e não se manifestou. A defesa de Daniel Vorcaro também não respondeu aos questionamentos.

A CPI do Crime Organizado será encerrada na próxima terça-feira (14) após ter a prorrogação negada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

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