A Receita Federal encaminhou à CPI do Crime Organizado documentos que revelam transferências milionárias do Banco Master para figuras proeminentes da política nacional. Os dados fiscais foram enviados ao colegiado parlamentar nesta quarta-feira (08/04). Os registros indicam repasses para escritórios de advocacia, empresas de consultoria e companhias vinculadas a ex-presidentes, ministros e governadores.
O escritório de advocacia do ex-presidente Michel Temer recebeu valores do Banco Master. A instituição financeira declarou à Receita Federal o pagamento de R$ 10 milhões. Temer contestou o montante e afirmou que o valor correto seria de R$ 7,5 milhões. O ex-presidente declarou que seu escritório foi contratado para “uma atividade jurídica de mediação”.
A Pollaris Consultoria, empresa do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, aparece nos registros fiscais com recebimentos de R$ 14 milhões. Os documentos não especificam o período das transferências nem detalham a natureza dos serviços prestados pela consultoria.
O escritório Lewandowski Advocacia, vinculado à família do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski, recebeu R$ 6,1 milhões. As transferências iniciaram em novembro de 2023. Lewandowski encerrou sua participação na sociedade do escritório em janeiro de 2024. A banca de advocacia pertence à família do ex-magistrado.
Os dados fiscais registram transferências de R$ 12 milhões para a empresa de Bonnie Bonilha. Ela é casada com o enteado do senador Jaques Wagner, do PT da Bahia. Wagner exerce a função de líder do governo Lula no Senado Federal. As informações não detalham a natureza dos serviços prestados pela empresa.
O escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal, recebeu R$ 80,2 milhões entre 2024 e 2025. Os registros foram enviados pela Receita Federal à CPI. Este montante representa o maior valor individual identificado nos documentos fiscais.
Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda no governo Michel Temer e ex-presidente do Banco Central durante a gestão Lula, recebeu R$ 8 milhões por serviços prestados ao Banco Master. Em nota, Meirelles informou que manteve um “contrato de serviços de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro com o Banco Master, em caráter opinativo, entre março de 2024 e julho de 2025”.
Empresas do Grupo Massa, conglomerado da família do governador do Paraná, Ratinho Jr, do PSD, constam nos documentos com transferências de R$ 24 milhões. A Massa Intermediação recebeu R$ 21 milhões. A Gralha Azul Empreendimentos e Participações registrou R$ 3 milhões em repasses do banco.
A assessoria de imprensa do Grupo Massa declarou que a atuação do conglomerado “não se confunde com a conduta de terceiros com os quais manteve relações contratuais”. A assessoria informou que o governador Ratinho Jr não integra o quadro societário das empresas que receberam as transferências do Banco Master.
As duas principais lideranças do partido União Brasil aparecem nos registros fiscais. ACM Neto, vice-presidente da legenda e pré-candidato ao governo da Bahia, recebeu R$ 5,45 milhões através da A&M Consultoria Ltda. Antônio Rueda, presidente nacional do partido, teve repasses de R$ 6,4 milhões originados do banco controlado por Daniel Vorcaro.
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O União Brasil criticou o vazamento de dados fiscais em nota oficial. O partido afirmou que “os serviços jurídicos prestados ao conglomerado Master tiveram caráter estritamente técnico, com atuação relevante e devidamente documentada”. A legenda não forneceu detalhes adicionais sobre a natureza dos serviços prestados por seus dirigentes.
Uma empresa vinculada a Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social no governo Jair Bolsonaro, recebeu R$ 3,8 milhões do Banco Master. Ronaldo Bento, ex-ministro da Cidadania na mesma gestão, consta nos documentos. Sua empresa registrou pagamentos de R$ 6,2 milhões.
Wajngarten informou que conheceu Daniel Vorcaro no primeiro semestre de 2025. Ele passou a integrar a equipe jurídica de defesa do ex-banqueiro. “Fui apresentado ao Daniel no primeiro semestre de 2025 por meio dos advogados dele, passando a integrar a equipe de defesa dele, da qual faço parte até o presente momento”, declarou em nota. O contrato tem cláusulas de confidencialidade razão pela qual não pode ser publicizado. Além disso, não sou sequer mais politicamente exposto, já que sai de qualquer cargo público há mais de 5 anos.
A reportagem tentou contato com os demais citados nos documentos da Receita Federal. Não houve retorno até a publicação desta matéria.




