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Vereador do PL denuncia esquema que financia conservadores para defender Banco Master

Rony Gabriel afirma que recusou oferta para defender instituição financeira; influenciadora também diz ter sido abordada

Rony Gabriel, vereador do Partido Liberal (PL) em Erechim (RS), revelou nesta terça-feira (6) que foi convidado a participar de uma campanha coordenada para defender o Banco Master e atacar o Banco Central (BC). A mobilização envolveu ao menos 46 perfis nas redes sociais após a liquidação do Banco Master decretada pelo BC no final de 2025.

Em vídeo publicado no Instagram, o vereador relatou que uma empresa o abordou em 20 de dezembro do ano passado oferecendo contrato para divulgar conteúdos específicos. Segundo informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a abordagem foi feita via Instagram por um representante da UNLTD Brasil, chamado André Salvador. A empresa apresentou-se como responsável pelo “gerenciamento de reputação de um grande executivo” e prometeu uma “boa quantia em dinheiro” pela participação na estratégia.

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O contrato apresentado ao vereador previa multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento do acordo de confidencialidade. Gabriel afirmou ter recusado a proposta, mas acredita que outros influenciadores aceitaram integrar a iniciativa. Nos documentos enviados pelo vereador à equipe da colunista, o serviço é identificado como “Projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro, dono do Master.

A campanha tinha como objetivo atribuir ao Banco Central a responsabilidade pela crise de liquidez do Banco Master e criar a percepção de que a instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro não apresentava irregularidades. Uma reportagem do Metrópoles foi usada como exemplo de conteúdo que precisava ser difundido, sempre lançando dúvidas sobre a ação do Banco Central que levou à liquidação do Master.

Além de Rony Gabriel, a influenciadora Juliana Moreira Leite, que também possui 1,4 milhão de seguidores, foi abordada com proposta semelhante. No caso dela, o contato foi feito por Junior Favoreto, do Portal Group Br, também especializado em influenciadores de direita. Ambos receberam o mesmo tipo de abordagem, descrita como um trabalho para “um executivo grande” em uma “disputa política contra o sistema”.

Os ataques coordenados ocorrem em meio a desdobramentos do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU). No início de dezembro, o ministro Dias Toffoli, relator do processo no STF, decretou sigilo máximo às investigações contra executivos do banco.

Entre os exemplos de influenciadores que já estariam participando da campanha, foram citados Paulo Cardoso, do @cardosomundo, com 4,3 milhões de seguidores, Carol Dias, autora do livro “Rumo à riqueza”, e Marcelo Rennó, que se apresenta como especialista em reels no Instagram. Questionado pela equipe de Malu Gaspar, Cardoso negou ter firmado qualquer contrato para publicação de vídeos, enquanto Rennó não respondeu se recebeu pagamento pelo conteúdo.

Leia mais: Relator da CPI do INSS prioriza convocação de Lulinha após recesso

Em 27 de dezembro, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e outras entidades do setor financeiro emitiram nota pedindo a preservação da autoridade técnica do BC para evitar um “cenário gravoso de instabilidade”. A Febraban declarou que “está analisando se as postagens identificadas naquele período caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade, sendo que já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico”.

As investigações sobre os financiadores da campanha e o valor total investido na contratação dos influenciadores continuam em andamento. Autoridades monitoram a evolução dos ataques nas plataformas digitais.

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