O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou que pode reformular a chapa presidencial para a eleição de 2026 e abrir espaço para um partido de centro na vaga de vice. A possibilidade ganhou força após declarações do próprio presidente indicando que o atual vice, Geraldo Alckmin (PSB), teria um “papel a cumprir em São Paulo” no próximo ciclo eleitoral.
A sinalização ocorre em meio a discussões dentro do PT sobre a ampliação da base política para a disputa presidencial. Com o PSD decidido a lançar candidatura própria ao Planalto, o MDB passou a ser visto como a principal legenda de centro com potencial para integrar formalmente a chapa de Lula.
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Atualmente, o MDB ocupa três ministérios no governo federal — Cidades, Transportes e Planejamento —, mas o partido não tem posição unificada sobre um alinhamento eleitoral com o PT. A legenda é historicamente marcada por divisões regionais e, mesmo em alianças anteriores com governos petistas, registrou dissidências em diretórios estaduais.
Dentro desse cenário, dirigentes petistas avaliam que uma eventual aliança nacional com o MDB poderia garantir maior tempo de propaganda eleitoral, mesmo que os diretórios estaduais tenham liberdade para definir seus apoios locais. A oferta da vaga de vice é considerada, no momento, o principal atrativo para formalizar esse entendimento.
Entre os nomes do MDB citados publicamente como possíveis opções estão o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o governador do Pará, Helder Barbalho. Ambos, no entanto, têm projetos eleitorais nos seus estados. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, também é apontada como liderança relevante do partido, embora sua situação eleitoral ainda não esteja definida.
A maior resistência interna a uma aproximação com o PT parte de setores do MDB em São Paulo, liderados pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes. O dirigente afirma que a maioria do partido mantém posição contrária ao apoio ao governo Lula e defende que qualquer decisão passe pelas instâncias internas da sigla.
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Por outro lado, lideranças históricas da legenda, como Renan Calheiros, Jader Barbalho, Eunício Oliveira e Eduardo Braga, defendem a manutenção do diálogo com o Palácio do Planalto. Caso não haja consenso, a definição sobre o posicionamento do partido para 2026 poderá ser levada à convenção nacional, onde o peso dos diretórios estaduais e dos parlamentares será decisivo.
As declarações de Lula reforçam a percepção de que o presidente busca reorganizar alianças com foco em ampliar sua competitividade eleitoral, especialmente em São Paulo, considerado estratégico para a disputa presidencial.
