O presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisará trocar cerca de dois terços dos ministros de seu governo nos próximos meses, com os titulares das pastas deixando os cargos para concorrer nas próximas eleições, ou, em alguns casos, para reforçar os partidos na organização de campanhas.
Apesar do número considerável de saídas no primeiro escalão do governo, a intenção do presidente não é fazer nomeações políticas em um ano eleitoral, mas apenas dar seguimento ao que já está sendo feito pelos atuais ministros.
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“O presidente está muito tranquilo em relação a isso, ele acha que esse é um momento que tem que dar sequência ao que nós fizemos até agora, e isso é com quem está dentro dos ministérios, principalmente secretarias executivas ou em outras posições”, disse a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
A legislação eleitoral determina que os candidatos das eleições de outubro que estiverem ocupando ministérios e outros cargos devem deixar as posições até 31 de março, prazo limite para a chamada desincompatibilização.
O primeiro a sair do governo deve ser o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que já anunciou sua partida para fevereiro. Seu substituto deve ser o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, o atual número 2 da pasta.
Apesar da pressão do PT e do próprio Lula, Haddad diz que não quer ser candidato este ano, mas espera trabalhar na campanha à reeleição do presidente.
Movimentações para o Congresso e Câmara dos Deputados
Candidato ao governo paulista derrotado pelo governador Tarcísio de Freitas em 2022, Haddad não quer tentar novamente. Ao mesmo tempo, o ministro aparece em primeiro lugar nas pesquisas para o Senado, mas tampouco gostaria de ser candidato. Marina e Tebet também poderiam ser alternativas ao Senado.
Haddad, no entanto, é peça-chave nos planos do partido e de Lula para ter um palanque forte em São Paulo. De acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, a intenção do presidente é ter as ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, e do Planejamento, Simone Tebet, juntamente com Haddad, concorrendo no Estado, com a possibilidade de unir ainda o ministro do Empreendedorismo, Marcio França, e até mesmo o vice-presidente Geraldo Alckmin. O desenho da chapa, no entanto, ainda depende da disposição dos envolvidos.
Na lista dos demais ministros que saem do governo, ao menos sete serão candidatos ao Senado, incluindo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que deve compor uma chapa petista puro-sangue na Bahia com o senador Jaques Wagner e o governador Jerônimo Rodrigues.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann aceitou o pedido de Lula e enfrentará uma difícil eleição para o Senado no Paraná. A intenção de Gleisi era ser novamente candidata à deputada federal.
A maior parte dos ministros, como Jader Filho (Cidades) e Anielle Franco (Igualdade Racial), serão candidatos a deputados. O ministro dos Transportes, Renan Filho, é o único que já definiu que será candidato a governador, em Alagoas.
Dois ministros, Camilo Santana (Educação) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) irão deixar os cargos para reforçar a campanha eleitoral do PT.
Sidônio Palmeira será, mais uma vez, o marqueteiro de Lula. Já Camilo decidiu reforçar a campanha à reeleição do governador Elmano de Freitas, depois que o ex-aliado e hoje adversário Ciro Gomes decidiu ser candidato ao governo do Estado novamente.
Por Reuters
