A Comissão Parlamentar de Inquérito do INSS enviou ofício ao Supremo Tribunal Federal solicitando informações sobre o usuário de um número telefônico institucional da Corte. A linha aparece em registros de comunicação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. O documento foi encaminhado nesta quinta-feira (19/03).
O colegiado quer identificar quem utilizava o aparelho na data específica da troca de mensagens com o empresário. A comissão solicita o histórico completo de usuários da linha nos últimos cinco anos. O prazo estabelecido para o fornecimento das informações é de dois dias úteis.
O documento foi direcionado ao diretor-geral do STF, responsável pela administração da Corte. A ênfase recai sobre o período em que houve a comunicação com Vorcaro.
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Confirmação técnica da titularidade
A identificação do número ocorreu após quebra de sigilo telefônico. O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a titularidade do STF foi confirmada mediante consulta às operadoras. A verificação utilizou o Sistema de Investigação de Registros Telefônicos e Telemáticos (SITTEL). A análise técnica atestou que a linha pertence à estrutura institucional do tribunal.
A comissão ressalta que a confirmação da vinculação do número ao Supremo demonstra que Vorcaro manteve contato com alguém da Corte. Os elementos disponíveis até o momento não permitem determinar qual pessoa estava com o aparelho quando a comunicação aconteceu. Essa lacuna motivou a formalização do pedido diretamente ao tribunal.
Viana explicou a decisão de oficiar o STF. “O relatório que recebemos confirma que o número é do STF. Isso indica que houve contato com alguém ligado à Corte, mas não posso afirmar que se tratava do ministro Alexandre de Moraes. Por isso, estamos oficiando o Supremo para saber quem utilizava o aparelho no momento da comunicação”, declarou o parlamentar.
Mensagens com número institucional
Registros obtidos do celular de Vorcaro indicam um suposto diálogo com Alexandre de Moraes em 17 de novembro de 2025. A data corresponde à primeira prisão do banqueiro. Às 17h22 daquele dia, Moraes teria enviado um print de bloco de notas do celular com a pergunta: “Conseguiu bloquear?”.
Outras mensagens trocadas com o mesmo número abordavam aspectos relacionados à eventual venda do Master. A comunicação utilizou o modo de visualização única do WhatsApp. A informação foi divulgada pela colunista Malu Gaspar, do GLOBO.
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O presidente da CPI não especificou qual troca de mensagens motivou especificamente o pedido ao Supremo. Diante da ausência de confirmação sobre o usuário da linha, o colegiado optou por não fazer atribuições diretas. Viana tem reiterado que não há elementos suficientes para apontar Moraes como titular do número.
Em nota oficial, a presidência da comissão informou que a medida visa “garantir celeridade, precisão técnica e a correta identificação do responsável pela linha telefônica no período analisado”. O comunicado acrescenta que os trabalhos prosseguem com “transparência, responsabilidade institucional e respeito às garantias legais”. A CPI aguarda o retorno do STF dentro do prazo estabelecido para dar continuidade às investigações.




