O ex-deputado Tony Garcia declarou, em depoimento gravado pela Justiça Federal, que atuava como “informante” do senador Sergio Moro (União Brasil-PR), quando este era juiz da 13ª Vara de Curitiba. Nos vídeos, o então colaborador afirma que tinha autorização para solicitar interceptações telefônicas de alvos investigados pelo então magistrado. O material foi apresentado à juíza Gabriela Hardt, sucessora do magistrado no processo.
A apuração é da jornalista Daniela Lima, colunista de política da TMC. O assunto foi repercutido durante a participação dela no TMC 360. As gravações adicionam novos elementos às acusações contra a atuação da Justiça Federal de Curitiba durante o período em que Moro comandava a 13ª Vara.
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Moro é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) por, supostamente, utilizar delatores para atingir pessoas fora da jurisdição em que atuava.
O STF investiga se Moro, enquanto juiz, usou a estrutura da Justiça Federal do Paraná para pressionar autoridades e políticos. O ex-magistrado deixou a carreira para ser ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (PL). Após racha com o então presidente, abandonou a pasta e passou a se dedicar à campanha política em 2022. Em 2023, assumiu o cargo de senador.
Conversa com juíza Hardt
Nos vídeos analisados, Garcia conversa com Hardt e relata o que considera abusos em sua atuação como colaborador. O ex-deputado menciona que foi convocado a assinar um acordo para denunciar um suposto esquema de comercialização de sentenças judiciais.
“Com o tempo, doutora Gabriela [Hardt], eu fui agente infiltrado do Ministério Público. Eu trabalhei por dois anos e meio diuturnamente, por 24 horas, tendo um agente da inteligência da Polícia Federal ao meu dispor, para eu pedir segurança e interceptação telefônica que colaborasse com a Justiça”, disse Garcia à Hardt.
O ex-colaborador afirma que Moro o chamava frequentemente para discutir os desdobramentos dos casos e pedia que ele buscasse potenciais delatores. Garcia diz ter usado o telefone da própria 13ª vara para contatar alguns dos alvos das investigações.
“Inclusive, uma das pessoas-chave desse inquérito eu levei para o acordo. Eu pedi para ele não ser preso. E ele foi lá e falou tudo. Que tinha conta fora e tal“, declarou o então colaborador.
Gravação de ex-presidente do TCE
Uma reportagem anterior de Daniela Lima divulgou que Moro teria autorizado, solicitado e recebido de Tony Garcia a gravação do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).
Na ocasião da publicação, Moro afirmou que “a investigação em curso no Supremo Tribunal Federal é baseada em relatos fantasiosos do criminoso condenado Tony Garcia. A colaboração deste criminoso com o Ministério Público e a Justiça Federal remonta aos anos de 2004 e 2005, tendo então se encerrado. Não é possível comentar qualquer material do inquérito, já que não tive acesso aos autos”.
