“A previsão é que após o ato de 8 de janeiro, é que o ministro Ricardo Lewandowski entregue uma carta na qual ele pede demissão do Ministério da Justiça. Falo em mágoa da parte dele porque o ministro veio ensaiando essa saída há algum tempo”, disse a colunista da TMC, Daniela Lima nesta segunda-feira (07/01).
Lewandowski comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sua decisão de deixar o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O anúncio foi feito em 23 de dezembro de 2025, durante encontro no pavilhão de autoridades do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando o ministro entregava presentes natalinos ao presidente e à primeira-dama.
Acesse o canal da TMC no WhatApp para ficar sempre informado das últimas notícias
Durante a conversa em Congonhas, Lewandowski disse a Lula: “Presidente, sinto que já cumpri o meu papel. A família me pressiona muito. Preciso sair”. O presidente pediu alguns dias para analisar o pedido, mas não retomou o assunto posteriormente.
A saída do ministro está relacionada a uma sequência de desgastes nos últimos meses. Um episódio marcante ocorreu em 4 de novembro, quando Lewandowski foi chamado para uma reunião de emergência com o presidente em Belém do Pará, onde Lula estava para a COP30.
Veja o vídeo:
O motivo do encontro não era a conferência ambiental, mas a operação policial no Rio de Janeiro que resultou em mais de 120 mortes, a mais letal da história. O caso fortaleceu politicamente o governador Cláudio Castro e deu argumentos à oposição.
Na reunião realizada na embarcação presidencial em Belém, quando surgiu a proposta de criar uma Secretaria de Segurança vinculada à Casa Civil, Lewandowski declarou ao ministro Rui Costa: “Rui, se você quer a segurança, pode pegar”. A cena foi presenciada por outros integrantes do governo.
Após esse encontro, Lula levou o ministro em seu carro e reafirmou sua confiança nele. No entanto, o desgaste continuou. Dias depois, em reunião com ministros ex-governadores para discutir segurança pública, Lewandowski foi criticado pela suposta falta de divulgação das ações da Polícia Federal.
Em resposta às críticas, o ministro afirmou: “Os governadores falharam miseravelmente nos planos de segurança pública e aqui estamos”. Testemunhas relatam que ele pronunciou “mi-se-ra-vel-men-te” separando cada sílaba e repetiu a palavra três vezes.
Após esse episódio, o ministro colocou seu cargo à disposição em conversa com Lula, que não aceitou a renúncia. Em dezembro, novo desgaste ocorreu quando Lewandowski não foi convidado para uma reunião do Mercosul, mesmo tendo articulado um acordo de cooperação para combate ao crime organizado entre os países do bloco.
Funcionários do Ministério da Justiça observaram na segunda-feira (05/01) que presentes e porta-retratos com fotos familiares já foram embalados para retorno a São Paulo.
