Deputada alvo de operação sobre desvios no INSS comprou apartamento de R$ 4 milhões e carro de luxo

Mendonça disse que há “provas” de que Gorete Pereira comprou um apartamento de mais de R$ 4 milhões em nome de empresas de fachada assim como um veículo de luxo em valor superior a R$ 400 mil

Por Redação TMC | Atualizado em
A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE)
Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) terá de usar tornozeleira eletrônica por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) pela prisão preventiva da parlamentar em operação sobre esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões, mostrou decisão do magistrado nesta terça-feira.

Na decisão de 36 páginas, Mendonça disse que há “provas” de que Gorete Pereira comprou um apartamento de mais de R$ 4 milhões em nome de empresas de fachada assim como um veículo de luxo em valor superior a R$ 400 mil “com o emprego dos recursos indevidamente subtraídos de aposentados e pensionistas do INSS”.

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Contudo, o ministro do STF disse que “neste momento” a prisão preventiva pode ser substituída por medidas menos graves, sem prejuízo de reavaliação futura. Ele ponderou que a condição de parlamentar da investigada impõe a “aplicação do crivo mais elevado de análise exigido pelas disposições constitucionais correlatas ao denominado estatuto dos congressistas”.

“Entendo ser o caso de adotar medidas judiciais constritivas diversas da prisão que sejam adequadas e proporcionais para que a parlamentar investigada não oculte bens, não promova dilapidação patrimonial, não obstrua ou atrapalhe as investigações e, principalmente, não continue na prática dos gravíssimos ilícitos apurados pela Polícia Federal”, afirmou o magistrado.

Mendonça determinou a realização de uma busca e apreensão em endereços ligados à deputada, além da colocação de tornozeleira e imposição de outras medidas cautelares, segundo a decisão do STF.

Nota oficial da deputada Gorete

A deputada federal Gorete Pereira reitera que não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos.

Sua trajetória pública de mais de 40 anos sempre foi pautada pela integridade.

A parlamentar informa que sua defesa já analisa o teor da decisão.

O advogado Dr. Waldir Xavier se manifestará oportunamente após análise detalhada do caso.

Confiante no devido processo legal, a deputada reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência.

Leia mais: PF prende empresário e advogada por fraudes em aposentadorias do INSS no CE

Propina

A decisão de Mendonça apontou que, durante as investigações, a deputada tinha atuação relevante no grupo que teria desviado recursos do INSS, fazendo a articulação política e operacional de associações, controlando entidade utilizada para expansão dos descontos indevidos e ainda mantendo interlocução com autoridades e servidores públicos.

“É possível identificar no acervo de documentos acostados nestes autos que Maria Gorete Pereira frequentemente contatava servidores do INSS, dentre eles Stefanutto, para, mediante pagamento de propina, viabilizar o credenciamento e ativação de entidades associativas de aposentados com as quais tinha relação”, citou a decisão, em referência ao ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alessandro Stefanutto.

Em novembro do ano passado, Stefanutto chegou a ser preso preventivamente pela PF em uma fase anterior das investigações sobre crimes em fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. Na operação desta terça, ele não está entre os alvos.

Procurada, a assessoria de Stefanutto não respondeu de imediato a pedido de comentário.

Operação

Em comunicado, a PF e a Controladoria-Geral da União informaram que policiais federais e auditores da CGU cumprem 19 mandados de busca e apreensão, dois de prisão e outras medidas cautelares diversas no Ceará e no Distrito Federal.

“Os mandados judiciais foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, em procedimentos sob a relatoria do ministro André Mendonça. Eles têm como finalidade aprofundar as investigações da operação Sem Desconto, para esclarecer a prática de crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, de constituição de organização criminosa, de estelionato previdenciário e de atos de ocultação e de dilapidação patrimonial”, disse a nota.

As investigações sobre fraudes do INSS ainda devem ter vários desdobramentos, segundo uma fonte do STF, e devem atravessar o período eleitoral deste ano.

O caso também é alvo de investigação em uma CPI mista no Congresso Nacional.

*Por Ricardo Brito, da Reuters

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