O deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS) comentou, em entrevista ao Link TMC nesta quinta-feira (14/05), a repercussão envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o suposto financiamento do filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao analisar o caso, Marcon afirmou que a mídia adota um critério mais rígido ao lidar com suspeitas envolvendo aliados políticos da direita.
“A régua moral da direita, ela é extremamente mais alta do que a régua moral da esquerda”, declarou o parlamentar. Segundo Marcon, os áudios divulgados até o momento não demonstram pedido de recursos para práticas ilegais, mas sim cobranças relacionadas aos custos da produção cinematográfica.
“No próprio áudio, o Flávio não pede dinheiro para nada ilícito, ele pede dinheiro para pagar os atores do filme”, afirmou.
O deputado também comparou o episódio a situações envolvendo políticos de outros espectros ideológicos e criticou o que considera um tratamento desigual por parte da opinião pública e de setores políticos. “Nós temos um presidente cujo filho há provas robustas que recebeu dinheiro roubado dos aposentados e para a esquerda está tudo bem”, disse.
Marcon também citou investigações envolvendo o irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que, enquanto casos ligados à esquerda seriam relativizados, qualquer aproximação da direita com empresários investigados gera reação imediata.
Durante a entrevista, o parlamentar ainda fez referência ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e afirmou que preferiu aguardar mais informações antes de se posicionar publicamente sobre o caso.
“Eu não fui irresponsável como Romeu Zema de postar um vídeo sem antes entender o caso”, declarou.
Marcon afirmou ainda que eventuais irregularidades precisam ser comprovadas antes de qualquer condenação política ou moral. “Se houver qualquer tipo de ilícito, eu tenho certeza que vou pular do barco”, disse o deputado, ao defender cautela nas análises.
O parlamentar também argumentou que políticos nem sempre conseguem rastrear integralmente a origem de doações recebidas em campanhas eleitorais. “Mais de 500 pessoas doaram para minha campanha. Eu talvez não conheça nem 20 dessas pessoas”, afirmou. “A gente tem que separar o joio do trigo”, completou.
O episódio ganhou repercussão após reportagem revelar que Flávio Bolsonaro teria atuado na cobrança de cerca de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”. A produção seria uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro e envolveria empresários, aliados políticos e operadores ligados ao Banco Master.
A reportagem também cita transferências financeiras realizadas ao longo de 2025, além de mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro cobrando pagamentos ligados ao projeto. O senador nega irregularidades e afirma que o filme é uma iniciativa privada, sem uso de recursos públicos ou incentivos da Lei Rouanet.
Leia mais: ‘Mentira tem perna curta’, diz Lula após vazamento de áudio de Flávio




