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Derrite descarta alterações do Senado no PL Antifacção e restabelece versão da Câmara

Relator retoma pontos aprovados pelos deputados, amplia punições e facilita prisão preventiva; taxação de bets deve ser retirada do texto

A Câmara dos Deputados deve votar nesta terça-feira (24/02) a nova versão do PL Antifacção, relatada pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP). O parecer endurece o combate ao crime organizado, ao recuperar trechos do texto original aprovado pelos deputados e modificar mudanças feitas pelo Senado.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o relatório foi construído em diálogo com o governo federal e que há acordo para votação em plenário. Segundo ele, houve entendimento com a equipe do Ministério da Justiça.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, confirmou que o governo orientará voto favorável ao texto-base, com possibilidade de destaques para ajustes.

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Penas podem chegar a 40 anos

Um dos principais pontos retomados pelo relatório é o conceito de “domínio social estruturado”, criado para caracterizar facções que exercem controle territorial e social mediante violência ou grave ameaça.

O texto prevê punição para práticas como:

  • bloqueio de vias e instalação de barricadas;
  • imposição de regras à população;
  • ataques a serviços públicos;
  • sabotagem de infraestrutura;
  • intimidação de autoridades.

Com a retomada da redação da Câmara, as penas podem chegar a 40 anos de prisão, superando o modelo aprovado pelo Senado, que fixava reclusão entre 15 e 30 anos para o crime de facção criminosa.

O parecer também restabelece a punição de atos preparatórios, permitindo responsabilização ainda na fase de planejamento das ações criminosas.

Prisão preventiva facilitada

Outro ponto central é o endurecimento das regras de prisão preventiva. Pelo relatório, o enquadramento nos crimes previstos no projeto já poderá justificar a decretação da prisão, por indicar risco à ordem pública.

Na versão do Senado, essa previsão havia sido retirada, mantendo apenas os critérios gerais do Código de Processo Penal.

O texto também:

  • mantém os crimes como hediondos, com regras mais rígidas de progressão de pena;
  • prevê transferência obrigatória de lideranças para presídios federais;
  • mantém a vedação de auxílio-reclusão a integrantes de facções ultraviolentas.

Perdimento de bens e asfixia financeira

O relatório reforça o combate financeiro às facções criminosas. Entre as medidas:

  • ampliação do bloqueio e sequestro de bens;
  • manutenção do perdimento extraordinário, que permite perda patrimonial antes do trânsito em julgado;
  • possibilidade de intervenção judicial em empresas usadas por organizações criminosas, com afastamento de sócios e auditoria;
  • retomada da repartição automática de bens apreendidos entre União e estados quando houver atuação conjunta.

Permanece ainda a criação do Banco Nacional de Dados de Organizações Criminosas, para integrar sistemas federais e estaduais de inteligência.

Divergências sobre bets

Um dos pontos de maior divergência envolve a taxação das apostas esportivas. O relatório manteve a chamada Cide-Bets, contribuição de 15% sobre transferências feitas por pessoas físicas a plataformas on-line, com recursos destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública.

No entanto, Hugo Motta afirmou que há acordo para retirar a cobrança do texto, tratando o tema em projeto separado.

A bancada do PT critica o acordo para suprimir a taxação. Deputados como Maria do Rosário (PT-RS) e Rogério Correia (PT-MG) defendem a manutenção da contribuição como fonte permanente de financiamento da segurança pública.

Críticas do PT e defesa do relator

O PT avalia que o relatório enfraquece o texto do Senado e amplia excessivamente instrumentos como o perdimento extraordinário de bens. O partido também sustenta que parte das medidas pode enfrentar questionamentos constitucionais.

Derrite, por sua vez, afirma que as mudanças feitas pelo Senado representavam “retrocesso” e “reforço da impunidade”, além de enfraquecer mecanismos de combate financeiro ao crime organizado.

Leia mais: Motta anuncia acordo para votação do PL Antifacção, mas separa tributação das bets

Caso aprovado pela Câmara, o projeto seguirá para sanção presidencial, já que o Senado analisou a proposta anteriormente e a palavra final cabe aos deputados.

O texto consolida uma estratégia baseada em três eixos principais: endurecimento penal, facilitação de prisões e investigações e asfixia financeira das facções criminosas.

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