O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisa ter mais iniciativa no combate às fake news, principalmente diante da proximidade da eleição presidencial deste ano, afirmou Arthur Igreja, especialista em tecnologia, em entrevista à TMC nesta quinta-feira (29/01).
“Essa é uma crítica que faço desde a última eleição. A tecnologia mudou drasticamente desde a última eleição presidencial. Aconteceu antes de surgir o ChatGPT. Ficou muito mais fácil criar imagens e vídeos a partir do zero, copiar a voz das pessoas (agora)”, declarou.
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Para Igreja, as autoridades eleitorais já deveriam estar se preparando para o avanço da inteligência artificial desde o ano passado. “Outra preocupação que tenho é que esse discurso vem muito perto do ciclo eleitoral. As eleições estão aí na frente. O que dá para fazer até lá? Temos uma consulta pública que vai acontecer a partir de agora. Mas, no campo prático, é difícil identificar o que será feito.”
O especialista explicou que rastrear montagens e vídeos criados com inteligência artificial é possível, mas demanda muitos recursos. “Uma foto que viraliza, você não sabe quem criou, quem compartilhou. Mas, do ponto de vista da tecnologia, daria para fazer essa rastreabilidade. Há interesse em fazer isso? Não.
“Isso pode levar meses e demanda um recurso gigante. Não é possível fazer isso em escala. É atrás disso que muitos se escondem.”
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Igreja também afirmou que é possível debater a tecnologia sem afetar a liberdade de expressão. “Uma coisa não é contra a outra. É perfeitamente possível debater a questão tecnológica e não restringir a liberdade de expressão. Isso precisa ser a prerrogativa, o ponto de partida. É totalmente diferente da situação que vivemos hoje, com ferramentas de IA que permitem criação de conteúdo sem o consentimento das pessoas. Eu estou falando não apenas de candidatos, mas para cada um de nós.”
