Uma das principais discussões da semana no Congresso Nacional, o fim da escala 6×1 não está sendo devidamente debatido do ponto de vista econômico, na avaliação de Bruno Rizzi, colunista da TMC. O assunto, na sua opinião, merece maior atenção principalmente em relação a estudos de impacto econômico.
“O risco que estamos vivendo nesta questão, no lado político, social e econômico, é de que o projeto será votado e aí não tem volta. Vai acabar sendo aprovado. E aí estaremos recorrendo à questão do populismo, em que carecem as discussões prévias necessárias para tudo isso. Do ponto de vista econômico, esse problema é muito mais concreto. Estamos falando de queda de produção, aumento de custos, redução de margens das empresas”, afirmou Rizzi, nesta terça-feira (7/04).
O colunista embasa sua avaliação ao mencionar que o mercado de trabalho não é único, conta com setores dos mais diversos, com características próprias.
“O grande ponto nesta discussão é entender que o mercado de trabalho não é homogêneo. São diferentes setores, fábricas, lojas de rua, shoppings. Tem setor que consegue se adaptar e até ganhar produtividade. Tem setor que não vai conseguir sobreviver”, explicou.
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Populismo e pauta natural
Rizzi também avaliou a discussão sob os dois principais pontos de vista. “Essa questão da pauta da escala 6×1 é uma pauta clássica do trabalhismo. Ao longo da história, vimos outras questões, como a licença-maternidade, descanso remunerado, etc. Sob essa ótica, é uma pauta natural. E não dá para classificarmos automaticamente como populismo”, considerou.
“Trago dois motivos para tal. A primeira coisa é que numa parte da literatura econômica, com base em estudos já feitos,a questão de redução de jornada está associada a ganhos de bem-estar e até, em alguns casos, de ganhos de produtividade. E o segundo ponto é que o populismo ignora evidências técnicas, e não é o que está acontecendo neste momento no âmbito da política brasileira pois estão justamente discutindo essa questão junto a setores, empresas, etc.”
Neste aspecto, a discussão se torna ainda mais delicada por ser colocada em votação num ano eleitoral. “É evidente que tem uma dimensão política nesta questão, uma pauta eleitoral. Estamos num ano em que pautas populares são muito difíceis de serem votadas contra. Uma vez que coloca para a votação, ninguém vai querer se expor ao votar contra. Essa é uma questão muito delicada porque estamos a menos de seis meses das eleições.”




