A Câmara dos Deputados registrou a troca de legenda de mais de 120 parlamentares durante a janela partidária encerrada na última sexta-feira (04/04). O movimento representa aproximadamente 25% do total de deputados da Casa. As migrações redesenharam as forças políticas no Congresso Nacional e indicam um partido vencedor, na opinião de Bruno Rizzi, analista político e colunista da TMC.
“A janela partidária se encerrou neste fim de semana e o PL, de Jair e Flávio Bolsonaro, foi o grande vencedor. E a razão para isso talvez seja uma expectativa positivo no âmbito político de uma provável vitória de Flávio Bolsonaro. Porque a janela serve para que os políticos se reacomodem e todos querem se reacomodar naquilo que traz mais benefícios e possibilidades futuras nas eleições”, afirmou Rizzi, nesta segunda-feira (6/04).
O período da janela partidária permite que parlamentares mudem de partido sem perder o mandato. As trocas resultaram no fortalecimento de partidos de direita, especialmente o PL e o Podemos.
“A tendência acaba sendo da ida para partidos mais competitivos, que vão puxar mais condições e estrutura, até pensando em cargos numa possível aliança. E também daquele próprio partido que constrói uma aliando histórica com outros. Claro que parte desta totalidade já estava em partidos independentes, de direita no Congresso Nacional”, afirmou Rizzi.
O PL, partido da família Bolsonaro, recebeu 20 deputados e perdeu 7, alcançando saldo positivo de 13 parlamentares. A legenda passou a contar com 100 deputados, consolidando-se como a maior bancada da Câmara. O número representa quase um quinto de todos os parlamentares da Casa.
O Podemos registrou 13 adesões contra apenas 2 saídas. O partido obteve ganho líquido de 9 deputados.
Partidos do Centrão apresentaram perdas no movimento. O União Brasil teve 28 saídas e 21 adesões, perdendo 7 deputados no total. O PSD registrou 13 saídas contra 9 adesões, com saldo negativo de 4 parlamentares. O MDB perdeu 6 deputados após registrar 13 saídas e 7 adesões.
Bancadas maiores no Congresso têm acesso a mais verba, mais tempo de televisão e mais influência nas comissões parlamentares. Essas vantagens aumentam a capacidade dos partidos de reeleger seus próprios nomes.
O fortalecimento do campo conservador aparenta refletir a competitividade de Flávio Bolsonaro, que está em empate técnico com o presidente Lula nas pesquisas para a presidência.
As novas configurações das bancadas influenciarão a distribuição de recursos, tempo de televisão e composição das comissões parlamentares. O movimento indica que os parlamentares estão enxergando um Congresso mais inclinado à direita nas próximas eleições.
As migrações envolveram cálculo eleitoral. Deputados migram para legendas onde enxergam mais chance de vitória nas próximas eleições.




