A primeira-dama Janja Lula da Silva decidiu não participar do desfile da Acadêmicos de Niterói no domingo (15/02), que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Sapucaí. Ela anunciou a decisão nesta segunda-feira (16/02) alegando evitar o que chamou de “possibilidade de perseguição” ao presidente e à escola de samba.
A agremiação estreou no Grupo Especial do Carnaval carioca com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Conforme nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Janja permaneceu no camarote ao lado do presidente durante a apresentação, após visitar a concentração para demonstrar apoio aos integrantes.
A decisão ocorreu mesmo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negar, na quinta-feira (12/02), uma liminar que pedia a proibição do desfile. Os ministros, entretanto, alertaram que certas condutas na avenida poderiam configurar crime eleitoral, levando o governo a recomendar que autoridades evitassem manifestações que caracterizassem propaganda eleitoral antecipada.
Nos dias anteriores ao carnaval, o enredo da Acadêmicos de Niterói gerou contestações. Partidos e parlamentares da oposição protocolaram ao menos dez ações na Justiça Eleitoral e no Tribunal de Contas da União (TCU), argumentando que a homenagem constituía propaganda eleitoral antecipada.
Em nota oficial, a primeira-dama explicou:
“Mesmo com toda segurança jurídica de que a primeira-dama, Janja Lula da Silva, poderia desfilar, diante da possibilidade de perseguição à escola e ao presidente Lula por receber uma das maiores honrarias que um brasileiro pode ter, que é ser homenageado por uma Escola de Samba, Janja optou por não desfilar para estar ao lado da pessoa que ela mais ama na vida”.
O desfile na Sapucaí
A apresentação aconteceu na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A escola narrou a trajetória de Lula desde a infância no Nordeste, passando pela migração familiar para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico, sua atuação como líder sindical, até chegar à Presidência da República.
A comissão de frente apresentou uma representação da rampa do Planalto, relembrando a posse de Lula, com atores representando figuras como o ministro Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Em um dos carros alegóricos, a escola apresentou críticas às políticas sociais do governo Bolsonaro e à forma como a pandemia foi enfrentada durante sua gestão. Na parte traseira de um dos carros, havia uma referência à prisão do ex-presidente Lula.
Repercussões políticas
Após a apresentação, o Partido Novo anunciou que acionará a Justiça Eleitoral para solicitar a inelegibilidade do presidente, que pretende concorrer à reeleição.
Lula comentou sua participação no carnaval através das redes sociais: “Depois de passar pelo carnaval de Recife e de Salvador, estive no Rio de Janeiro, na Sapucaí. Tive a honra e a alegria de acompanhar o desfile da Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Muita emoção”. Durante o evento, o presidente foi fotografado cumprimentando integrantes das escolas de samba e usou chapéus com cores diferentes em homenagem a cada agremiação.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também se manifestou sobre o desfile. Em publicação nas redes sociais, ela reproduziu a imagem do carro alegórico que fazia referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro e declarou: “Só para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião”.
A estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro com um enredo que homenageou o atual presidente gerou reações da oposição, que já havia tentado impedir o desfile através de ações judiciais.
